O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Paulo Simões, defende que as autarquias têm de apoiar a atracção e fixação de médicos nas regiões do interior, através da procura de melhores condições para que os jovens se possam estabelecer.
Paulo Simões, que falava esta terça-feira, em Portalegre, aos jornalistas no âmbito da recepção aos internos, que decorreu nas instalações da Ordem dos Médicos de Portalegre, destacou que as dificuldades em captar profissionais de saúde, no caso de Portalegre, podem agravar-se com a entrada em funcionamento do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora, que passou a ser uma solução mais atractiva para os jovens médicos.
Neste contexto, o presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, defendeu, neste contexto, que dar condições favoráveis de alojamento – o que é possível às autarquias fazer -, por exemplo, pode contribuir decisivamente para que os médicos escolham fixar-se nestas regiões do país.
«A Ordem dos Médicos tem alertado para a necessidade de políticas públicas que incentivem a fixação de profissionais de saúde no interior do País. Sem essas medidas, a desigualdade no acesso à saúde entre as regiões do litoral e do interior continuará a aumentar, colocando em risco a saúde e o bem-estar das populações mais vulneráveis», considera Paulo Simões.
Já Hugo Capote, presidente do Conselho Sub-regional de Portalegre da Ordem dos Médicos, manifestou também a sua preocupação, alertando para o facto de metade das vagas disponíveis para internos em unidades da Sub-região não terem sido preenchidas. Hugo Capote admitiu que esta circunstância é «muito grave», considerando que a região continua a enfrentar desafios significativos na atracção de profissionais de saúde.
A sessão de recepção aos internos contou com a participação de André Arraia Gomes, médico de Saúde Pública na USP Alto Alentejo, e de Maria João Seco, médica de família em Elvas, que apresentaram o cenário das respectivas especialidades na Sub-região.