O ano de 2026 começa assim-assim. Nós últimos anos a incerteza de grandes conflitos afeta-nos. Mesmo que psicologicamente.

O garante da democracia ocidental desde a segunda-guerra abandonou-nos. Literalmente os americanos decidiram deixar de ser nossos irmãos de confiança inabalável. 

Não devemos exaltar os ânimos anti-americanos.  Afinal, estamos a enfrentar alterações comportamentais da América de Trump. Há outros EUA.

“Tínhamos o terceiro maior arsenal nuclear do mundo, desistimos dele por um pedaço de papel e veja o que aconteceu. Assim lembram os ucranianos. Curiosamente, há três décadas, os Estados Unidos, nomeadamente, garantiram que os defenderiam sem limitações se a Rússia os atacasse. A América de Biden cumpriu. A América de Trump decidiu esquecer esse acordo.

Com ou sem Trump, a confiança total no irmão americano está irremediavelmente afetada.

Será talvez o momento de lembrar que foram os europeus que deram a mão aos americanos na sua guerra civil. E também estiveram às suas ordens na guerra-fria. Ou na invasão do Iraque.

Ouvi em 1996 numa conferência a que assisti, após a queda do ‘muro de Berlim’ e o fim da guerra-fria, o antigo responsável da política externa dos EUA, Henry Kissinger, afirmar: “não nos mandem embora, pois vocês aqui na Europa não se entendem”. O momento diz-nos que previu bem. Contudo, não previu que fossem os EUA a abandonar-nos.

O ano de 2026 começa com muitas incertezas. No nosso continente também. Mas, alguns sintomas nos dizem que pode terminar bem. Ou menos mal. Assim seja!

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