Castelo de Vide assinala esta quarta-feira, dia 19, o primeiro aniversário do Museu Garcia de Orta, instalado no antigo edifício das Termas e inaugurado em 2024 pela então ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, e pelo presidente da Associação Portuguesa de Museologia, João Neto. Um ano após a abertura ao público, o espaço cultural já recebeu 5.522 visitantes, reforçando a oferta turística e patrimonial do concelho.

O museu ocupa o edifício termal construído nos anos 40 do século XX, um imóvel de elevado valor arquitectónico assinado por Camilo e Ernesto Korrodi. Após o encerramento do complexo termal em 1995, tornou-se prioridade encontrar uma nova função para o edifício, culminando na criação de um espaço dedicado a Garcia de Orta, médico, botânico e um dos mais ilustres filhos de Castelo de Vide.

Nascido por volta de 1501, filho de judeus expulsos de Castela em 1492, Garcia de Orta destacou-se como pioneiro na botânica, farmacologia e antropologia. Exerceu medicina na Índia portuguesa e dedicou-se à experimentação científica, sendo o primeiro europeu a descrever a origem e as propriedades terapêuticas de plantas exóticas e drogas orientais, reunidas na sua obra Colóquio dos Simples. Amigo de Luís Vaz de Camões, morreu em Goa em 1568 e seria condenado postumamente pelo Tribunal do Santo Ofício em 1580, tendo os seus restos mortais e livros sido destruídos pela Inquisição.

A exposição permanente do museu está organizada em três salas da nave central e destaca os momentos mais relevantes da vida e obra do médico quinhentista. Está dividida em dois núcleos cronológicos — Península Ibérica (c. 1500-1534) e Ásia (1534-1568) — permitindo compreender a influência de Garcia de Orta no desenvolvimento científico europeu.

O Museu permite estabelecer uma conexão entre a exposição dedicada a este médico quinhentista e os outros espaços públicos de cultura e lazer existentes em Castelo de Vide e que abordam o legado judaico.

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