A Federação Portuguesa de Atletismo emitiu esta quarta-feira, dia 26, um comunicado em que esclarece os objectivos do projecto “Filiação por um dia”, que foi aprovado em assembleia geral desta entidade e que prevê, na temporada desportiva (2025-26), que os atletas não federados sejam obrigados a pagar por uma licença para correr.
Em comunicado, a FPA explica que «a medida se aplica apenas a atletas não filiados na Federação Portuguesa de Atletismo, nas categorias de absolutos e veteranos», sendo que «os atletas dos escalões jovens, até sub-18, não pagam qualquer valor, devendo apenas ter seguro válido. Esclarece-se ainda que os atletas filiados na FPA não necessitam de qualquer outra licença».
Acrescenta ainda que «esta licença federativa só será obrigatória nas provas de atletismo pagas e com classificação, com valor de inscrição superior a 5 euros. Para todas as provas, mesmo que pagas, mas com valor de inscrição inferior a 5 euros, e sem classificação, não será obrigatória a apresentação da referida licença».
A FPA adianta que «esta medida, defendida na sua generalidade, desde há vários anos, pelas Associações Regionais e Distritais de Atletismo, seguindo o modelo de outras federações congéneres nacionais e internacionais, vai garantir o cumprimento da Lei e salvaguardar a segurança dos praticantes da modalidade, permitindo à FPA controlar e validar todo o processo regulamentar de inscrições. A título de exemplo, refira-se que os Seguros Desportivos e Exames Médicos válidos e actualizados serão obrigatórios e devidamente escrutinados de forma a salvaguardar a integridade física de todos os participantes».
«Em suma: será exigido ao atleta não federado, no acto da inscrição numa prova, o fornecimento do seu número de filiado na FPA, para concluir o processo. Caso não seja filiado, o atleta poderá completar o processo de forma célere através do Portal FPA, onde, se cumprir os requisitos em termos de documentação e mediante o pagamento de um valor de 3 euros, que já inclui o seguro, obterá de imediato o seu cartão digital de federado, podendo participar na competição em que se inscreve», lê-se ainda no comunicado enviado à nossa redacção pela Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre.
Ainda segundo a Federação, «os atletas podem optar pela filiação para toda a época, com um valor a partir de 31 euros/ano, com seguro incluído (anual) e que permite, sem excepção, a participação em todas as provas em território nacional. Ao filiar-se o atleta vai usufruir de cartão digital de filiado, acesso aos mais de 100 centros do Programa Nacional de Marcha e Corrida (acompanhamento por técnicos especialistas em marcha e corrida, treinos em grupo, actividades gratuitas e acesso às infra-estruturas disponíveis no centro), acesso a perfil, histórico de participações em provas certificadas, ao calendário oficial de atletismo e aos rankings nacionais, além de beneficiar de descontos nos produtos e serviços disponibilizados pela FPA e pelos seus parceiros, entre outras vantagens. Neste caso, sublinhamos, não será necessária qualquer outra licença para participar em competições».
A FPA defende ainda que «esta medida permite também aos Organizadores de Eventos Desportivos que assim o entendam, baixar o valor das inscrições, uma vez que o Seguro Desportivo já estará assegurado através da filiação na FPA».
Para já está em curso a elaboração de um novo Regulamento de Filiações de Agentes Desportivos, onde estarão especificadas todas as normas e excepções deste processo que deverá entrar em vigor na próxima época desportiva.
O valor auferido pela Federação Portuguesa de Atletismo no âmbito deste processo, será investido no desenvolvimento nacional e regional da modalidade, em articulação com as Associações Regionais e Distritais de Atletismo, com especial foco na formação através do Atletismo Infanto-juvenil.
«O Atletismo Português, apesar de ser a modalidade nacional mais medalhada em termos Olímpicos, apresentou saldos negativos nos últimos quatro anos, fruto do desinvestimento estatal no desporto, tendência que estamos a tentar inverter através da implementação de medidas estruturais para o desenvolvimento da modalidade. Os recentes resultados desportivos em competições internacionais são um factor extra de motivação para o necessário e fundamental investimento em infra-estruturas de apoio ao treino dos atletas e alargamento da base formativa», justifica a FPA, defendendo que «o Atletismo Nacional tem de voltar ao Patamar de excelência onde merece estar e o aumento de número de Filiados é uma das bases de suporte para esse objectivo».