A presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, Ana Catarina Mendes, destacou hoje, em Portalegre, a «importância da transição climática ligada às questões tecnológicas», uma das apostas do Programa de Recuperação e Resiliência, e frisou que uma consequência da pandemia de Covid-19 nos territórios do interior foi fazer «regressar muita gente».

Em declarações ao nosso jornal, Ana Catarina Mendes, que, no âmbito do roteiro de proximidade do Grupo Parlamentar do PS, visitou a BioBIP, a incubadora de empresas situada no Pólo Tecnológico do Politécnico de Portalegre, e a Selenis Evertis, empresa que opera na área dos plásticos (PET) e se rege por elevados padrões ambientais, defendeu que o Politécnico de Portalegre «é um belíssimo exemplo não só de incubadora de empresas e de aposta no empreendedorismo, como também na aposta muito clara na transição climática».

A líder parlamentar socialista, que visitou Portalegre acompanhada pelos vice-presidentes do Grupo Parlamentar do PS, Constança Urbano de Sousa, Hortense Martins, Porfírio Silva e Luís Testa, e pela deputada Martina Jesus, os dois últimos eleitos pelo círculo de Portalegre, e ainda pelo secretário de Estado do Planeamento, Ricardo Pinheiro, sublinhou que 70% dos alunos deste Politécnico «são de fora do distrito, provando a excelência da sua oferta».

«O Instituto Politécnico de Portalegre usa a sua posição geográfica como ponto estratégico para a ligação transfronteiriça com Espanha. É fundamental conjugar as energias renováveis com a possibilidade de investimento na área da descarbonizarão da rede de gás natural e o centro de inteligência competitiva tirar proveito do cabo de dados que liga a América à Europa e que passa nesta zona do País», apontou.

Já a empresa Selenis Evertis «é dos maiores empregadores do Alto Alentejo com um caráter diferenciador a nível europeu e mundial na indústria das embalagens, e desta forma produzir conhecimento e investigação científica para ajudar o ambiente», salientou Ana Catarina Mendes, que asseverou que «o interior é tão central quanto estivermos dispostos a ver».

Evidenciando que «uma das consequências da pandemia em territórios desta natureza – onde sabemos que a densidade populacional baixa significativamente – foi fazer regressar muita gente», a dirigente socialista constatou que, por um lado, regressaram os «filhos da terra, que querem apostar no interior, como o exemplo de algumas das empresas que aqui tivemos oportunidade de visitar, e, por outro lado, pessoas que não tendo nada a ver com estes territórios, procuram aqui novas oportunidades».

Ana Catarina Mendes acredita que este fenómeno pode dar a «expectativa de maior desenvolvimento destas terras e de uma maior ligação das empresas ao conhecimento», o que coincide com uma das ambições do Programa de Recuperação e Resiliência, notou a presidente da bancada do PS, que disse que «é precisamente esta vertente das agendas mobilizadoras que combinem as novas tecnologias com o desenvolvimento climático e com a transição climática e, sobretudo, com a produção de riqueza para fixar aqui pessoas».

Ana Catarina Mendes aproveitou ainda para sublinhar a importância do poder local nestes projectos, afirmando que «não podemos ter projectos destes, que são muito ambiciosos e que estão a ser bem desenvolvidos, se tivermos um poder local que esteja de costas voltadas para esta criatividade. E, portanto, é preciso que os poderes públicos e os poderes privados se juntem para conseguirmos, de facto, um desenvolvimento como queremos».

O Grupo Parlamentar do Partido Socialista tem vindo a percorrer todos os distritos do País com vista a preparar o debate sobre o Estado da Nação, que se vai realizar no dia 21 de Julho, e perceber que consequências trouxe a pandemia ao território e, por outro lado, analisar como se pode recuperar tudo o que se perdeu neste ano.

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