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Numa missão de criar em Monforte algo único no País que possa dar um contributo de grande importância no desenvolvimento de técnicas de construção mais eficientes em termos energéticos e, consequentemente, contribuir para a descarbonização ambiental, o Município deu esta segunda-feira, dia 20, mais um passo imprescindível para a criação do futuro Centro Tecnológico de Construção Sustentável que irá nascer no concelho.

Neste dia foram assinados os protocolos através dos quais se delinearam as formas de colaboração das diferentes entidades envolvidas no projecto de construção, funcionamento e valorização de um Centro Tecnológico de Técnicas de Construção Sustentável, nomeadamente entre a Câmara de Monforte, o Politécnico de Portalegre, o Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o “Guardiões da Vida” – Associação para o Fórum da Energia e Clima, Observador Consultivo da CPLP (FEC-CPLP), sendo também signatária a Direcção Geral do Património e Cultura, tendo ainda como parceiro do projecto a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA).

A sessão contou com a presença de várias entidades locais e regionais, bem como dos parceiros do projecto, representados pelo presidente da Câmara de Monforte, Gonçalo Lagem, pelo presidente do Politécnico de Portalegre, Luís Loures, pelo presidente do Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Humberto Varum, pelo professor de Arquitectura na Universidade do Porto, Bruno Marques, e pelo presidente do Fórum de Energia e Clima, Ricardo Campo.

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Este projecto «irá revolucionar o nosso concelho e a região»

Gonçalo Lagem descreveu este projecto como sendo «estrutural e estruturante para o concelho de Monforte e para a região Alentejo», o qual acredita que «vai fazer verdadeiramente a diferença, pois estamos a  falar de um Centro Tecnológico de técnicas de Construção Sustentável, uma ideia que não foi nossa, é um projecto que decorre da ideia de Luís Barata, Isabel Ferreira e do professor Bruno Marques, tendo evoluído para esta parceria », explicou, justificando que «estamos conscientes de que temos que fazer alguma coisa, de que a construção é um dos sectores mais responsáveis pela emissão de CO2, e temos que alterar o nosso comportamento tendo em vista a sustentabilidade ambiental».

O autarca considera que «temos muito a aprender com aquilo que até já soubemos mas estamos a esquecer», referindo-se às técnicas utilizadas pelos nossos antepassados na construção de edifícios, e por isso «é isso que queremos revistar, aquilo que era feito pelos nossos antepassados e que era garantia de eficácia, de uma boa e racional utilização dos nossos recursos, mas também introduzir-lhes a nossa modernidade, o nosso conhecimento, a ciência, adaptando e transportando para a actualidade este equilíbrio, tendo em conta que temos que ter maior respeito pela nossa terra».

Afirmando ainda que «é agora que temos que agir» e que Centro pretende «contribuir para essa alteração», o presidente do Município explicou que este protocolo é «um primeiro passo que vai servir como “chapéu” para estarmos dotados e preparados previamente para a obtenção de financiamento comunitários que irá surgir em breve, uma vez que o próximo quadro comunitário é muito em redor destes chavões: sustentabilidade ambiental e descarbonização», o que «vai ao encontro daquilo que pretendemos com este projecto, uma vez que o objectivo final é não só esta preocupação ambientar e traduzi-la em resultados, mas também projectá-la em novas soluções que não sejam tão agressivas ao meio-ambiente, criando um polo tecnológico de investigação, que vise atrair estudantes do mundo inteiro com a ajuda destes parceiros».

Convicto de que no espaço de três a quatro anos este projecto irá «revolucionar o nosso concelho e a região», Gonçalo Lagem defende que irá, inclusive, contribuir para «combater um dos graves problemas do nosso território que é a desertificação, o envelhecimento da população, e que tratará jovens valores, acrescentará valor e irá rejuvenescer a região, com a grande mais valia de ser nesta área da construção sustentável».

O presidente do Politécnico de Portalegre, Luís Loures, referiu que desde o primeiro momento «percebemos o interesse deste projecto, de uma forma integrada e para um conjunto de áreas e domínios em que o Politécnico tem uma responsabilidade na região, e que esta parceria seria fundamental porque nos permitia, também, complementar outros projectos e actividades que já temos em marcha e que se relacionam directamente com os objectivos deste Centro».

O responsável afirmou acredita que este Centro «tem condições para, num curto espaço de tempo, ser uma referência a nível nacional, num território que tem estrutura e estratégia para isso, porque fazer algo desta natureza num território como Monforte poderá ter um impacto territorial bastante significativo», constatou, dando como exemplo que a questão da formação é «é fundamental», pois «os construtores tradicionais vão-se perdendo e temos a responsabilidade de formar nessas áreas, de capacitar pessoas para poderem fazer essa formação», assumindo que a componente da investigação «é importante para inovar e aí podemos ter um papel preponderante nessa componente, com a criação de novas centralidades através destas actividades».

Para o presidente do Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Humberto Varum, este proejcto oferece a «oportunidade de resolver problemas, de desenvolvimento de produtos e soluções para os grandes desafios que temos na nossa sociedade, e esperamos poder contribuir para a melhoria da qualidade de vida da nossa sociedade», e reafirmou «o interesse e o entusiamo de todos no Instituto para abraçarmos os desafios deste projecto».

«Uma referência» para o desenvolvimento de soluções construtivas

Bruno Marques, que foi o responsável pela origem deste projecto, e que além de investigador na Universidade do Porto é professor na Universidade Lusíada, com a qual estive a trabalhar na intervenção e património do centro da vila de Monforte, diz haver «um potencial enorme de aplicação deste Centro, porque além da intervenção no património existente, que deve ser bem feito e investigadas as técnicas construtivas e validados com os laboratórios das universidades para mostrar a sua eficiência, também se deve usar este principio de uso de materiais naturais que são centenários de largos séculos de experiência e perceber como é que podem ser utilizados para novas técnicas e novas implementações para cumprir as normas actuais, fazendo face às exigências actuais que precisamos cumprir».

Dizendo ainda que o  Centro Tecnológico é «uma tentativa de transferência de conhecimento das universidades para fora, fazendo a sua ligação prática ao mercado», o professor e investigador acrescenta que «a intenção é podermos dar formação a estudantes de ensino secundário para técnicas de construção sustentáveis de baixo impacto ambiental que se promove na região, e também atrair investigadores nacionais e internacionais», colocando Monforte como «uma referência de território altamente focado e interessado em praticar e desenvolver investigação à volta de soluções construtivas de baixo impacto ambiental, claramente ligadas às raízes culturais históricas, mas com uma preocupação de corresponder às necessidades de futuro».

Ricardo Campos, presidente do Fórum de Energia e Clima, deu a conhecer um pouco do que é o trabalho e a missão do “Fórum energia e Clima”, que está sedeado no IPP, denotando que um dos seus objectivos é «dar força aos bons exemplos, apoiar aquilo que de facto pode ser solução para o problema da crise climática», sublinhando que isso só pode ser conseguido «através da união de toda uma região, e é muito importante esta união que proporcione o apoio a projectos que possam fazer a diferença como este Centro certamente irá fazer».

De acordo com o responsável os edifícios são responsáveis por 20% dos gases com efeito de estufa e consomem 30% de toda a energia térmica e eléctrica que é produzida, dados que diz espelharem «a enorme importância do tema deste Centro», pois «precisamos de agir rapidamente, já que só um a três por cento do edificado mais antigo é que é substituído por novo, e daí a importância de podermos actuar com estas boas práticas que serão aqui desenvolvidas neste Centro», e defende que «temos que caminhar para uma construção em que cada vez mais abandonemos a economia linear e passemos uma economia circular, incorporando mais materiais reciclados, e temos que ter a capacidade de gerar o conhecimento e passá-lo para a comunidade, não podemos deixar fugir a electricidade em casas mal isoladas e que não funcionam bem termicamente, temos que absorver definitivamente os conceitos de arquitectura bioclimática, ser eficientes na forma como construímos, e este Centro será um espaço de excelência para dar estes contributos», assegurou.