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Por Dr. Leopoldo Matos, Médico Gastrenterologista

Numa altura em que decorre a campanha de sensibilização para a prevenção e deteção precoce do cancro colorretal é importante promover o aumento da literacia dos portugueses sobre este tipo de cancro, que em Portugal é dos mais frequentes, ocupando o primeiro lugar em termos de mortalidade.

Ainda que seja dos cancros mais mortais, caso seja detetado precocemente tem uma elevada probabilidade de sucesso. Daí ser muito importante que as pessoas entre os 50 e os 74 anos –faixa etária com maior incidência de casos – realizem rastreios com pesquisa de sangue oculto nas fezes, de 2 em 2 anos, ou, se usando a colonoscopia, será de 5 em 5 anos a sua repetição, em condições standard.

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Ao contrário do que acontece com muitas doenças, numa fase inicial, o cancro colorretal pode não manifestar quaisquer sintomas. Mais uma vez, este contexto realça a importância de fazer o rastreio regularmente, para identificação e remoção de lesões ainda benignas (pólipos) ou diagnóstico precoce.

Como detetar?

Na ausência de sintomas, a forma mais eficaz de detetar precocemente este tipo de cancro é através do rastreio. Assim, é possível melhorar significativamente o prognóstico. O rastreio é, por isso, recomendado a pessoas entre os 50 e os 74 anos, assintomáticas, sem histórico de neoplasia e/ou pólipos colorretais, com doença inflamatória intestinal (exemplo: colite ulcerosa ou doença de Crohn) ou história familiar em 1.o ou 2.o grau de cancro colorretal ou adenoma (pólipos).

A Campanha de Sensibilização promovida pelo Grupo Ageas Portugal, Médis, Fundação Ageas e Europacolon, tem como objetivo incentivar os portugueses a fazer o rastreio. Ao contrário do que se possa pensar, o processo é simples, rápido e, neste caso, gratuito.

Para realizar o rastreio as pessoas devem inscrever-se em grupoageas.pt/cancrocolorretal, dirigir-se a um dos laboratórios/postos de colheita informados na mesma página – Redes Germano de Sousa e Unilabs – e solicitar um kit. A recolha é feita em casa pelo próprio e deve ser entregue no respetivo laboratório/posto de colheita, que posteriormente comunicará o resultado.

Quanto mais cedo for detetado, maior probabilidade existe de o tratamento necessário ter um resultado benéfico. Ainda assim, a eficácia dependerá de vários fatores, como o estadiamento da doença (ou seja, o grau de compromisso da doença a nível local, regional e à distância) e o estado geral do doente, incluindo outras doenças que possa ter.

Quais os sintomas?

Alguns dos sintomas mais frequentes são a perda de sangue nas fezes (que nem sempre é visível a olho nu), alteração do padrão habitual do funcionamento do seu intestino, dor de barriga, cansaço fácil e fadiga, e perda de peso não intencional. Nestes casos, é urgente o aconselhamento médico e a realização de colonoscopia total.

Como tratar?

O plano de tratamento é determinado por uma equipa multidisciplinar, constituída por oncologista, gastrenterologista, radiologista, cirurgião, radioterapeuta, patologista entre outros especialistas. No cancro colorretal, o tratamento envolve quase sempre cirurgia e, quando necessário, os tratamentos de radioterapia e/ou quimioterapia podem ser feitos antes ou depois da cirurgia.

A prevenção e promoção de saúde é cada vez mais importante para evitar determinadas doenças e garantir uma melhor qualidade de vida. Por este motivo, é importante que os portugueses se mobilizem e adiram a esta campanha, fazendo a inscrição em grupoageas.pt/cancrocolorretal até ao dia 13 de maio. Pode fazer a entrega da amostra num dos laboratórios ou postos de colheita aderentes, até 31 de maio, de norte a sul do país.

Mais do que sensibilizar para um dos cancros mais mortais, o principal objetivo de todos os envolvidos é salvar vidas.