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Artigo de Opinião de Cláudia Bernardo, Médica de Medicina Geral e Familiar e Directora Médica da OPFC – Clínica Médica do Porto

O velho ditado “mais vale prevenir do que remediar” nunca fez tanto sentido como agora, sobretudo no que diz respeito à nossa saúde. As realizações dos habituais exames médicos de rotina, o chamado check-up médico, nunca foram tão importantes. A pandemia não só trouxe consigo toda uma realidade desconhecida que nos obrigou a mudar a forma como vivemos e convivemos, como também mudou a forma como lidamos com a saúde.

Deixámos de vigiar e saber ouvir o nosso corpo e mente. Todo e qualquer sinal não era mais do que o efeito de um vírus do qual todos falavam mas ninguém conhecia. Abriu-se, assim, a porta à obesidade, aos problemas cardiovasculares, às neoplasias por diagnosticar e aos problemas mentais, entre outros. Tudo passou a ser normal e justificável com o Covid-19.

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Hoje, passados mais de dois anos, apesar de retomarmos parte das rotinas e termos a segurança de uma vacina, a verdade é que continuamos a encontrar no Covid-19 o fácil diagnóstico para tudo. Ninguém nega o seu impato na saúde mental, na obesidade, no agravar de muitas doenças diagnosticadas e muitas outras que ficaram por diagnosticar, mas é importante retomar a vigilância e perceber que os antigos riscos não só se mantêm como, em alguns casos, se agravaram.

O último relatório sobre a Saúde na Europa revela que a pandemia influenciou negativamente os comportamentos de saúde da população europeia, nomeadamente no que diz respeito aos padrões de consumo de álcool, tabaco, aumento sedentarismo e adoção de hábitos alimentares pouco saudáveis. Apesar vivemos num limbo de incertezas em relação ao vírus que persiste em se manter, a verdade é que não podemos continuar a adiar a saúde.

É urgente retomar as rotinas anuais de check-up médico, as quais devem incluir um conjunto de análises e exames clínicos, de modo a permitir determinar a existência de fatores de risco associados a doenças cardiovasculares, diabetes, Acidente Vascular Cerebral (AVC), osteoporose, obesidade, hipertensão arterial e doença hepática, entre outros. E porque cada idade acarreta os seus riscos há que ter em consideração a especificidade de alguns exames: no caso das mulheres, após os 40 anos, é recomendável a realização de uma mamografia a realizar-se anualmente ou de dois em dois anos, de acordo com histórico familiar. No caso dos homens é importante a realização de exames à próstata a partir dos 50 anos nos homens.

A par da normal vigilância é fundamental adotar estilos de vida saudáveis, baseados numa alimentação equilibrada, na atividade física, num sono reparador, na gestão de stresse e na eliminação de hábitos nocivos como o tabagismo.

É o mais comum dos “clichés” dizer que a saúde é o que cada um tem de mais precioso. Ninguém nega, ninguém contesta e todos concordam, mas a verdade é que a saúde acaba por ser uma das questões que muitos de nós negligenciamos. Quando estamos bem é algo que, inconscientemente, acabamos por assumir como garantido. Nada poderia estar tão errado!