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Dirijo-me a todos os Cristãos e Pessoas de Boa Vontade para lhes desejar um Santo e feliz Natal.     

Sendo o Natal um apelo à edificação de um mundo mais justo e atento a cada Ser Humano, para que ninguém se sinta só no meio de muita gente, percebemos que «não se pode deixar à generosidade intermitente dos poderosos a preocupação de atingir uma melhoria sustentável para todos – elevar mil milhões de pessoas acima do nível de sobrevivência – e preparar o terreno para uma vida sustentável nas próximas cinco décadas. A estabilidade durável do ambiente não pode ser deixada à mercê da lucidez e da boa vontade dos outros. Uma nova racionalidade económica, baseada no respeito pela Natureza, e novos esforços para restabelecer a equidade não poderão ser deixados às raras pessoas que estão vitalmente empenhadas na mudança. Todas estas ações devem ser prosseguidas, tanto individualmente como colectivamente. (…) Contudo sabemos que a ética do cuidado com o outro transcendendo a racionalidade económica; é capaz de se opor à influência do puro individualismo e da cupidez. O cuidado por nós próprios, pelos outros e pelo ambiente é a base necessária duma melhoria sustentável da qualidade de vida» (in Cuidar o Futuro, Oxford University Press, 2018).

A nossa Igreja Diocesana assumiu para este Ano Pastoral 2021-22 um desafio que se traduz em «cuidar e inserir os sedentos da Esperança», pondo em prática o mandato de Jesus, «dai-lhes vós mesmos de comer» (Lc 9,13). O objectivo do plano pastoral é consolidar nas comunidades cristãs a missão de cuidar e inserir todos os que procuram um sentido de esperança.  Os tempos que vivemos podem fazer renascer em nós a capacidade de estar atentos aos mais necessitados, aos que são diferentes porque vêm de outros lugares e de outras culturas, aos que estão desenraizados ou sofrem qualquer tipo de carência.

A propósito do mandato de Jesus, «dai-lhe vós mesmos de comer», o Papa Francisco lembra-nos a todos que: «No mundo, procura-se sempre aumentar os lucros, aumentar o volume de negócios… Sim, mas com que finalidade?» Eis uma economia que mata! «A ‘economia’ do Evangelho multiplica partilhando, alimenta distribuindo; não satisfaz a voracidade de poucos, mas dá vida ao mundo (Cf. Jo 6,33). O verbo de Jesus não é ter, mas dar».  De facto, quanto mais aumentam aqueles que se alimentam do Pão da Palavra de Cristo e da Eucaristia, mais se multiplica o pão distribuído a quem tem fome. Através de uma economia de comunhão, globalizamos a solidariedade.

Celebramos este Natal ainda muito condicionados pela Pandemia. A nossa gratidão a todos os agentes dos serviços de saúde, cuidadores de idosos e de todo o tipo de debilidades.  Muito obrigado aos Hospitais, às Santas Casas da Misericórdia, aos Centros Sociais Paroquiais e a todas as Instituições e serviços que previnem e cuidam as consequências deste doloroso momento. Convosco a minha oração.

O que não podemos fazer pela distância que nos protege, podemos fazer na qualidade e na criatividade da nossa presença.

Para todos imploro de Deus, Bênçãos de Santo Natal!

+Francisco José Senra Coelho – Arcebispo de Évora