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Artigo de Opinião de J. Vasco Barreto, Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

Hoje é o Dia Mundial da Pneumonia. A razão pela qual foi decidido assinalar uma data para esta doença é a sua enorme importância a nível mundial. Em 2020, morreram cerca de 3 milhões de pessoas devido a infeções respiratórias baixas (maioritariamente pneumonias), o que significa que falamos da quarta causa de morte, apenas ultrapassada pelas doenças cardio e cerebrovasculares e pela doença pulmonar obstrutiva crónica (dados da Organização Mundial de Saúde).

Em Portugal, esta doença afeta, por ano, 3 a 4 indivíduos em cada 1.000 (30 a 40 mil casos anuais), sendo 3 a 4 vezes mais frequente em pessoas com mais de 65 anos. A taxa de mortalidade média ronda os 15 a 20%, sendo muito mais baixa em pessoas saudáveis e jovens, mas relativamente elevada em idosos e em pessoas com várias doenças crónicas.

Desde o início de 2020, tem-se ouvido falar muito da pneumonia associada à doença COVID-19, que como é sabido é causada pelo vírus SARS-CoV-2. Sabemos que este e vários outros vírus, por exemplo o da gripe (vírus Influenza), assim como diversas bactérias (por exemplo o Pneumococo), são agentes frequentes como causa de pneumonia. Infelizmente, com os meios de diagnóstico atualmente disponíveis não conseguimos identificar o microrganismo responsável em mais de metade dos casos, o que não nos impede de tratar bem os doentes, mas faz com que esta seja ainda uma área com algum grau de incerteza.

A prevenção das pneumonias inclui um conjunto de medidas gerais, como evitar o tabagismo e o abuso de álcool e de outras drogas, manter um bom estado nutricional e hábitos regulares de exercício físico. As medidas de protecção a que nos habituámos durante a pandemia (afastamento físico, uso de máscara em espaços fechados, higienização das mãos) são bastante eficazes na redução do contágio entre pessoas, não apenas da COVID-19, mas também da gripe e de outras viroses muito comuns, particularmente no Inverno. Por fim, a vacinação tem um grande impacto, não só na redução do número de casos de pneumonia como também na redução da sua gravidade e da mortalidade. Temos à nossa disposição diversas vacinas contra a COVID-19 e também, em grupos selecionados, conforme orientações da Direcção Geral da Saúde, contra a gripe e contra a pneumonia pneumocócica.

A vacinação protege os indivíduos que a tomam e protege também a sociedade como um todo. Existem alguns receios relativamente à vacinação, a maioria dos quais, não obstante serem legítimos, são largamente infundados. O que devemos temer são as doenças; não tanto as vacinas, que têm demonstrado elevada segurança e que já foram capazes de erradicar doenças do planeta.

Mais de 80% dos internamentos por pneumonia ocorrem em Serviços de Medicina Interna. Os especialistas de Medicina Interna lidam diariamente com doentes com pneumonias das mais diversas causas e gravidades e, lidam simultaneamente com todas as doenças dessas pessoas, que é necessário compensar durante o internamento. Os Internistas e a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna estão ao serviço de todos: na prevenção, no diagnóstico e no tratamento dos doentes e das suas doenças, de que hoje destacamos as pneumonias.