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Artigo de Opinião de Cândido Ferreira

As ervas daninhas crescem por todo o lado e seria perda de tempo “bater mais” no Aeroporto de Lisboa e no SNS, crises há muito geradoras de alarme social.

Referirei, apenas, que, durante a semana que passou, os principais responsáveis pelo presente descalabro avançaram com “milagrentas soluções” que revelam bem a sua impreparação governativa: Pedro Nuno Santos, igual ao mesmo que há dez anos invocava o «não pagamos» para resistir à Troika, recorre a mais uma das suas habituais “bombas atómicas”, procurando apagar o incêndio que gere com a precipitação do anúncio da construção de novos aeroportos; já Marta Temido, também de mal a pior, entendeu “atacar” os portugueses com um novo plano na área da saúde, capaz de inverter a ameaça de morte temida que há muito deixa pairar sobre a nossa Saúde.  

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Destes dois incidentes, que ombreiam com o que de mais canhestro a República produziu, permitam-me que extraia apenas uma breve conclusão.

Enquanto os responsáveis de maior valia técnica e política se afastam, o PS demonstra que, nem juntando na mesma pessoa os cinco putativos candidatos a uma sucessão airosa do PM, encontraria nome de jeito. Uma tragédia para o futuro do nosso país, quando se repetem cenas reveladoras de que o regular funcionamento das Instituições não está assegurado.

Ignore-se o silêncio que cai sobre a Justiça e sobre uma Agricultura também de rastos e centremo-nos na diplomacia, um tema muito atrativo para os portugueses. Neste domínio, assistiu-se à substituição tardia da Embaixadora da Ucrânia, pessoa que há muito demonstrara inaptidão, porventura ser agente dupla. Impensável em diplomacia, e intolerável para qualquer Governo soberano, recordo que se deu ao luxo de não participar em comemorações

para que havia sido oficialmente convidada, preferindo integrar a manifestação de um partido político. Muitos cidadãos ucranianos se queixaram, mas, na parte que me toca, há muito que não tinha dúvidas. A Embaixada da Ucrânia nunca se dignou responder, por escrito, aos textos de apoio que publiquei desde o quarto dia da invasão e nem sequer agradeceu várias ofertas de ajuda.   

Ainda a voar neste “céu”, e mesmo admitindo “naturais desvios” de rota, porque Ucrânia e Copacabana quase “rimam,” atente-se na “visita de Estado” do nosso PR ao Brasil, num momento em que ambos os países divergem em questões muito sensíveis. Uma missão de alto risco que cedo degenerou em fracasso, com o representante máximo de Portugal a cometer mais um erro de palmatória e que só revela a sua total impreparação para o exercício das altas funções que desempenha.

 Assim é. O cidadão Marcelo Nuno tem todo o direito de discordar de Bolsonaro. Porém, enquanto PR de Portugal, e salvo situações extremas, tem o dever de não se imiscuir na política interna dos outros países. Reserva a que levianamente se furtou logo na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras quando, em Coimbra, e perante a notícia de uma expressiva votação em Bolsonaro, afirmou que essa era uma “má notícia para a democracia”. Depois, admirem-se que, na sua primeira ida ao Brasil, o “militar” Bolsonaro o tivesse posto a “descansar na parada”.   

Para, em 2022, a cena se repetir sem qualquer necessidade. A decorrer uma extremada campanha no Brasil, e venha o diabo e escolha entre os candidatos, podia alguém, com o mínimo de senso, admitir que Bolsonaro não reagisse ao anunciado “beija-mão” de Marcelo, a Lula? Uma trapalhada que “ditou” a firme reação do nosso PR em não se deslocar a Brasília, e assim prolongar as “férias” em São Paulo, enquanto a nossa CS não cessa de tecer loas à coragem e simpatia de um PR que se desdobra em encontros de ocasião e em selfies, por praias paradisíacas. Como não, se é esta mesma CS que dispensa mais preocupações sobre a lei do aborto dos EUA, do que ao caos instalado nos partos, em Portugal?

Hoje, com o “rei” de férias no Brasil, e o país sem rumo, Portugal parece ter recuado a 1822. Vítima de si mesmo, Marcelo arrisca-se a ficar para a nossa História Pátria como um dos piores estadistas de sempre, pedindo meças a Américo Tomás que, ao menos, procurava manter recato enquanto conduzia Portugal para o abismo.

E como não pensarmos assim se, com o maior partido da oposição a reorganizar-se, mas sem apresentar uma só medida animadora, é Marques Mendes que se insinua como candidato à sucessão de Marcelo?

Os portugueses continuam sem nenhum motivo para se sentirem animados e só António Costa respira de alívio, enquanto a guerra na Ucrânia prossegue e o nosso país empobrece. Com o PR encostado às cordas, que pode ele recear do “catarro de formigas”?