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O Tubo de Choque Europeu para a Investigação de Alta Entalpia, ESTHER, na sigla em inglês, está instalado no Campus Tecnológico e Nuclear, na Bobadela, perto de Sacavém, e foi inaugurado na quarta-feira com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. A partir deste momento é o tubo de choque oficial dedicado ao apoio de missões espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA).

Imagine que um veículo espacial se prepara para entrar na atmosfera de um planeta gasoso. Este tipo de planetas é maciço e têm uma força de atracção maior do que a Terra, de tal forma que uma nave espacial ao entrar na sua atmosfera atinge valores superiores a 20 quilómetros por segundo. A pergunta que se faz é: Como pode essa nave não se transformar numa bola de fogo e sobreviver a este tipo de condições? Simulando este ambiente, o Tubo de Choque irá responder a esta e outras questões de forma eficiente.

Um dos responsáveis pela “ficção científica” que o não é, é um jovem portalegrense, mais concretamente de Carreiras, Francisco Gonçalves Afonso, de 25 anos.

Conta o Francisco ao nosso jornal que «desde bem pequeno que sentia um entusiasmo pelo Espaço e por todos os seus enigmas, e foi no Instituto Superior Técnico que um dia, já aluno de Mestrado em Engenharia Mecânica, fui convidado a participar na maior investigação da Agência Espacial Europeia em Portugal».

Assume o Francisco que «de início hesitei, o desafio era ambicioso e ao mesmo tempo aliciante», mas «não demorei mais de um dia a aceitar a proposta, proposta essa que preencheu os meus dois últimos anos, e do qual resultou a minha Dissertação de Mestrado».

O Francisco Afonso relata que «os meus dias eram preenchidos de desafios, desde o aço que utilizávamos que era especial, às condições de serviço que nem sempre a Mecânica conseguia explicar… Tendo sido responsável pelo design mecânico do ESTHER, acho que foi a imaginação juntamente com todas as ferramentas de conhecimento que o Técnico me deu que me permitiu responder até ao fim a todas as questões».

Por isso «é gratificante com 25 anos ter tido o privilégio de participar num projecto desta dimensão que me enriqueceu enquanto engenheiro mecânico e enquanto pessoa.»

O Francisco Afonso frequentou o ensino secundário em Portalegre, na Escola de S. Lourenço, e que concluiu com média de 16. Depois «aos 18 anos saí da freguesia de Carreiras, que me viu crescer, e segui rumo ao Instituto Superior Técnico onde frequentei dois anos de licenciatura em Engenharia de Materiais, mas rapidamente percebi que o meu futuro passava pela Engenharia Mecânica, porque na realidade a minha grande paixão era a física e a matemática. Foi ainda enquanto aluno que ingressei no mundo da investigação tendo trabalhado durante dois anos no Projecto do Tubo de Choque ESTHER e mais recentemente no Reactor Nuclear instalado em França, o ITER no qual apresentei o meu último artigo no passado mês».