A água é, talvez, o bem mais precioso que temos à face da Terra. Para quem, como eu, nasceu e cresceu no Alentejo, este é um ensinamento que se aprende cedo. Num território marcado por verões longos e secos, habituámo-nos desde sempre a ouvir, e a praticar, a necessidade de poupar água.

Crescemos também a valorizar infraestruturas que garantem este recurso essencial. Quem de nós nunca falou em barragens como a de Póvoas e Meadas, de Montargil, do Caiaou mais recentemente do Pisão?

Mas não é sobre barragens que hoje escrevo. É sobre algo mais próximo, mais discreto, e muitas vezes menos debatido: os poços e furos que pontuam o Alto Alentejo e que continuam a ser fonte de abastecimento para algumas famílias.

Não está em causa este modelo. Está, sim, a necessidade urgente de refletir sobre os riscos que pode representar quando não existe qualquer controlo de qualidade da água consumida.

Os dados são claros e preocupantes. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2023 registaram-se 518 mortes associadas a fontes de água contaminadas e falta de higiene, o valor mais elevado desde 2010. Estes números não podem ser ignorados. Devem, pelo contrário, servir de alerta.

No nosso território, esta realidade ganha ainda maior relevância. Existem situações em que captações privadas coexistem, lado a lado, com fossas mal dimensionadas ou com infiltrações diretamente no solo. O resultado é conhecido: a contaminação dos lençóis freáticos e, consequentemente, um risco real para a saúde pública.

É neste contexto, e assinalando o Dia Mundial da Água, que importa colocar uma questão simples, mas essencial: quanto vale a segurança de abrir uma torneira e saber que a água é potável? Quanto vale a garantia de um sistema de saneamento adequado, que protege não só quem hoje utiliza, mas também as gerações futuras?

Estar ligado à rede pública de abastecimento de água é, acima de tudo, uma questão de confiança. Confiança na qualidade da água que consumimos, no controlo rigoroso a que é sujeita e na proteção da saúde pública e do ambiente.

Não se trata de impor, mas de consciencializar. A ligação à rede pública não é apenas uma opção técnica. A ligação à rede pública é uma escolha que contribui para uma gestão mais racional e sustentável dos recursos hídricos e, sobretudo, para a proteção da vida humana.

Porque, no fim, a água que consumimos deve ser sinónimo de segurança. Sempre.

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