Um emprego pode não bastar para trazer uma família

Um médico pode gostar do Alto Alentejo, encontrar uma oportunidade de trabalho por cá e, mesmo assim, ter dificuldade em tomar a decisão de vir, porque a pessoa com quem partilha a vida também tem uma profissão e precisa de perceber o que esta mudança significa para o seu futuro. Numa conversa destas, à mesa de casa, entram as contas do mês, mas também os anos que cada um dedicou à sua carreira e aquilo de que está disposto a abdicar.

A iniciativa «Escolher o Alto Alentejo. Vem conhecer. Fica para cuidar», promovida pela ULS do Alto Alentejo, pela CIMAA e pelos municípios envolvidos, procura apresentar aos jovens médicos os locais onde poderão trabalhar e conhecer a região onde poderão viver, através de visitas aos centros de saúde e às comunidades que servem. 

As empresas podem juntar-se a este trabalho, ajudando a encontrar oportunidades para quem acompanha os profissionais que queremos trazer. Pensemos num médico cuja companheira trabalha em contabilidade e numa empresa da região que precisa precisamente de contratar alguém para essa função. Havendo interesse de ambas as partes, vale a pena pô-las em contacto, até porque a possibilidade de os dois continuarem a trabalhar pode pesar bastante na decisão de mudar de terra.

Vejo aqui uma possibilidade de colaboração para a NERPOR, através do contacto que temos com os empresários. Poderíamos conhecer, com autorização dos interessados, os percursos profissionais de quem está a ponderar essa mudança e procurar empresas com necessidades compatíveis. A contratação dependeria das competências da pessoa e das necessidades da empresa, como em qualquer recrutamento, mas teríamos ajudado a criar um contacto que poderia ser útil aos dois lados.

O emprego de um pode até ficar num concelho e o do outro num concelho vizinho, desde que as deslocações sejam compatíveis com a vida que pretendem ter. E esta preocupação também se aplica quando uma empresa procura trazer um engenheiro ou outro profissional de fora da região, porque a decisão de aceitar uma proposta pode envolver uma mudança para várias pessoas.

O salário e as condições de trabalho fazem parte destas escolhas, tal como a vontade de cada um continuar a exercer a sua profissão. Quando pensamos em atrair uma família, convém ouvirmos também os planos de quem vem acompanhar a pessoa que estamos a contratar.

Uma entrevista numa empresa da região pode acabar por pesar na decisão de um médico aceitar trabalhar num dos nossos centros de saúde, e esse é um contributo que um empresário com uma vaga por preencher também pode dar.

Tiago Braga, Presidente da NERPOR