A GABIPOR assinalou, no dia 23 de Setembro, 40 anos de actividade, um percurso iniciado por Manuel Domingos Mendes Chagas e pela sua esposa, Catarina da Conceição Pinheiro Gonçalves Chagas, falecida há cinco anos.
A GABIPOR foi, pois, constituída a 23 de Setembro de 1986. A trabalhar na empresa «somos hoje 12 pessoas» e os sócios são quatro – Manuel Chagas, Dulce Camejo, Florimundo Grilo e Ema Chagas, neta do fundador e que é economista na EDP, em Lisboa.
Desde sempre a empresa se dedica à prestação de serviços de contabilidade e consultoria, tendo iniciado o trabalho num escritório na Praça da República, 5, e desde 2006 encontra-se na Av. de Santo António.
O fundador, que já fazia contabilidades em nome individual, conta que ao criar a empresa ««admiti duas funcionárias, a empresa foi crescendo e hoje somos 12». Em Agosto de 2000 «convidei a Dulce para minha sócia», que já era empregada, e em Fevereiro de 2001 convidei o Florimundo Grilo», que estava desempregado, tinha estado no Banco de Portugal e no crédito Agrícoola e com quem «tinha uma amizade desde criança», pois Manuel Chagas morava no 1º andar e os pais do Florimundo nos rés-do-chão, de modo que «+e como família e muito próxima».
A GABIPOR é uma empresa conhecida e conceituada no seu sector, mas com modéstia Manuel Chagas recusa reconhecer que seja a maior da região no seu sector, assumindo que «há lugar para todos», que «temos algumas empresas de maior dimensão» e «temo-nos dado bem», mas acima de tudo «temos o privilégio de termos pessoas amigas de trabalhar, responsáveis e competentes», dando como exemplo que os empregados «é que gerem as férias» e assim «nunca há chatices».
O fundador da GABIPOR sublinha importância de se trabalhar «com seriedade e honestidade», pois «trabalhamos com dinheiro que não é nosso», mas «muitos clientes passaram a amigos» e «isso é muito importante».
Quanto ao «futuro, a Deus pertence», declara Manuel Chagas, que assume que «a empresa está bem porque tem pessoas muito trabalhadoras, dinâmicas e responsáveis, pessoas muito boas e sérias, e com estes condimentos o sucesso é fácil», pelo que «os clientes é que fazem a nossa publicidade, daí a o nosso crescimento», pelo que admite que «se ficarmos por aqui já estamos bem».
«Não vejo grande futuro para Portalegre»
«Por natureza sou optimista», mas Manuel Chagas não o é relativamente ao futuro de Portalegre.
Salvaguarda que «as pessoas servem a cidade o melhor que sabem e que podem», mas «o IC13 nunca mais se faz» e assim «quem vem a Portalegre? E a nossa cidade não tem crescido, tem minguado».
«Vejo o futuro com muita tristeza», declara o empresário, pois «os sucessivos governos nunca fizeram nada que pudesse chamar empresas para a nossa cidade».
«A habitação é outro problema, porque só cresce em valores exorbitantes», constata, pelo que «não vejo grande futuro. Lamento muito dizer isto» e «quando chegamos à A23 ou à A6 sentimos a diferença», aponta Manuel Chagas que quer acreditar ainda que algum Governo inverta esta situação.
Manuel Chagas, homem de amizades e de serviço
Manuel Chagas, com 84 anos completados dia 16, nasceu no Reguengo mas foi criança para Fortios, Em determinada fase da vida pensou que queria ser padre e teve «muitos amigos» a incentivá-lo, mas não era esse o seu destino.
Foi para a Marinha e «tinha só a quarta classe» mas «comecei a estudar». Terminada a vida militar que o levou a Moçambique, Angola e S. Tomé veio para trabalhar para o escritório da Casa Trindade. «Estudava e trabalhava» e foi como trabalhador estudante que completou o antigo 7º ano do Liceu (actual 11º), mas «não pude ir para a Universidade», onde gostaria de ter feito História, o que no entanto «não me permitia trabalhar», apenas dar aulas.
Acabou por fazer depois o 12º ano mais tarde e tirar o curso de Contabilidade. Lembra a preciosa ajuda de António do Carmo Parra, sub-director de Finanças cujo serviço ficava então frente ao escritório da Casa Trindade, e que «ajudou-me muito a ser o que sou», pois «ajudava-me a fazer exercícios de contabilidade» e sempre «desinteressadamente». Chegaram a passar serões juntos até de madrugada, «ambos de pé junto ao balcão, ele de um lado e eu do outro, e não me esqueço que nunca consegui que fosse almoçar comigo», recorda Manuel Chagas que sublinha a gratidão que tem para com o falecido António Parra.
Nessa época em que trabalhava no escritório da Casa Trindade na Praça da República, e depois no seu no mesmo edifício, Manuel Chagas releva as amizades com o pessoal da fiscalização das Finanças, com os Polícias e com os militares da Guarda, todos ali “vizinhos”.
Manuel Chagas lembra que ao trabalhar ainda na Casa Trindade «passei a fazer contabilidades em nome individual», afirmando ter uma admiração «pelo meu patrão, o Dr. Joaquim António Trindade Miranda, com quem ainda hoje mantenho uma grande, boa e profunda amizade», reiterando que «sempre gostei muito do meu patrão».
Ao longo da sua vida, Manuel Chagas tem desempenhado várias funções associativas de relevo em Portalegre.
Durante 20 anos pertenceu aos corpos directivos da Rádio Portalegre, a cuja Direcção presidiu largos anos.
Foi também durante bastantes anos presidente da Direcção da Associação de Amigos da Terceira Idade de Fortios, pertenceu aos órgãos directivos do NERPOR, é presidente da Mesa da Assembleia Geral da UDIPS – União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Portalegre, é presidente do Conselho Fiscal do Núcleo do Sporting e apesar de sportinguista ferrenho é sócio da casa da Benfica, que frequenta com o sócio Florimundo grilo, «que é benfiquista» «Somos muito bem tratados e em dada altura perguntei ao presidente, prof. Coelho, se podia ser sócio» e assim pertence à Casa do Benfica.
Manuel Chagas é uma pessoa que faz exercício físico, em especial na bicicleta em casa, mas o Dr. Sousa ramos mandou-o moderar e passar dos 26 kms diárias para metade.
Recorda com orgulho que «fui caso único» na Marinha, pois nas provas desportivas «ganhei os 100 metros e os 5.000 metros», ainda que «nos 100 metros com mais dificuldade, mas nos 5.000 era á vontade».
Foi convidado para ir treinar e competir num clube, mas «era o Benfica, e como sportinguista recusei», conta com piada.
«Não sou a mesma pessoa desde que a minha mulher faleceu» e como pessoa muito sensível que é, Manuel Chagas confessa que «quando vejo uma criança na rua, tenho vontade de a abraçar».