16 formandos do Centro de Formação da GNR assistidos no hospital após regresso às aulas presenciais

Dezasseis formandos do Centro de Formação da GNR de Portalegre foram, esta terça-feira, dia 22, assistidos no Hospital Doutor José Maria Grande depois de apresentarem «problemas respiratórios e digestivos», no mesmo dia em que foram retomadas as aulas presenciais após uma desinfestação às instalações devido à presença de percevejos.

De acordo com o porta-voz da ULS do Alto Alentejo, Ilídio Pinto Cardoso, citado pela agência Lusa, os formandos começaram a dar entrada no hospital no «período da manhã», tendo «alguns já recebido alta».

Mais tarde, a GNR esclareceu que os 16 guardas provisórios apresentaram «episódios de vómitos, diarreias e náuseas» e foram encaminhados para o hospital, tendo todos recebido alta, sem baixa médica e estando, segundo a Guarda, «aptos a continuar» a formação.

As causas dos sintomas estão agora a ser apuradas, não estando ainda estabelecida qualquer relação com a intervenção de desinfestação realizada na semana anterior.

Em esclarecimentos enviados à Lusa, o Comando-Geral da GNR garantiu terem sido «escrupulosamente cumpridos todos os prazos de segurança e procedimentos de limpeza» indicados pela empresa certificada responsável pela desinfestação, antes do regresso dos formandos às instalações.

A Guarda explicou ainda que a desinfestação decorreu entre quinta e sexta-feira de manhã e salientou que o Centro de Formação não efectuou directamente qualquer serviço com produtos tóxicos. Segundo a instituição, foram apenas realizados trabalhos complementares de limpeza profunda, recorrendo a vapor de água.

A GNR acrescentou que tem mantido o acompanhamento das condições de habitabilidade das instalações e do estado de saúde dos formandos, em articulação com o Centro Clínico da instituição.

APG/GNR critica regresso às instalações

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) contestou, contudo, a decisão de retomar as aulas presenciais no Centro de Formação de Portalegre.

O dirigente da associação, Eládio de Pinho Rodrigues, disse à Lusa que a APG/GNR «condena» as decisões tomadas, considerando que não se percebe o regresso dos formandos às instalações quando, no entender da associação, permaneciam dúvidas quanto às condições existentes.

«Não se percebe porque foram tomadas, colocando em risco a saúde destes instruendos», afirmou.

O responsável considerou que a situação relacionada com os percevejos já configurava uma questão de «saúde pública» e admitiu que, caso venha a ser demonstrada uma relação entre os sintomas e os produtos utilizados na desinfestação, poderá estar em causa aquilo que classificou como uma «negligência clara».

A associação defende que o período de permanência dos formandos em casa deveria ter sido prolongado e revelou ter enviado um novo ofício ao comando da GNR, com conhecimento ao ministro da Administração Interna, solicitando uma resolução urgente da situação.

As aulas presenciais tinham sido suspensas na semana passada depois de terem sido detectados percevejos em alguns espaços de alojamento e instalações sanitárias do Centro de Formação. Durante esse período, a actividade lectiva prosseguiu à distância, através de meios ‘online’.

Com Lusa