PS contesta escolha de Alter para novo campo de tiro

A Federação Distrital de Portalegre do PS e o Movimento “Não ao Campo de Tiro” defendem a divulgação dos estudos técnicos que sustentaram a escolha de Alter para a instalação do novo Campo de Tiro da Força Aérea.

A posição foi reafirmada numa reunião entre as duas estruturas, realizada na última sexta-feira, em Portalegre, dedicada à análise do projecto anunciado pelo Ministério da Defesa. De acordo com o PS, a infraestrutura terá uma área estimada de 7500 hectares.

A Federação Distrital socialista considera que devem ser conhecidos os critérios utilizados pelo Ministério da Defesa e pela Força Aérea na escolha da localização, bem como as eventuais alternativas analisadas e a comparação entre as diferentes possibilidades.

O PS defende ainda que sejam avaliadas soluções de cooperação e partilha de capacidades antes da concretização de uma infraestrutura desta dimensão, apontando a abordagem Smart Defence da NATO como exemplo de uma estratégia assente na cooperação e na partilha de capacidades.

Na reunião foram também analisados os possíveis impactos do projecto sobre a actividade agrícola e pecuária e sobre a economia local. Segundo os elementos apresentados pelo Movimento “Não ao Campo de Tiro”, poderão ser afectadas mais de 50 explorações agrícolas e pecuárias e cerca de 100 postos de trabalho directos.

O Movimento estima ainda um impacto económico anual superior a 10 milhões de euros, considerando a actividade agropecuária, os apoios agrícolas, os salários e a economia local. O PS considera que estes valores e os restantes impactos económicos devem ser sujeitos a avaliação pública e fundamentada antes de uma decisão sobre a instalação da infraestrutura.

A Federação Distrital defende igualmente uma avaliação dos efeitos ambientais do projecto, nomeadamente ao nível dos solos, ecossistemas, actividade agropecuária e ruído.

O PS Portalegre pretende ainda acelerar as audições na Assembleia da República sobre o processo e reclama a apresentação da documentação técnica que permita conhecer os critérios que estiveram na base da escolha de Alter.

A estrutura socialista afirma que pretende acompanhar o processo junto das instituições europeias e de organizações da área ambiental, mantendo também a articulação com associações e movimentos da sociedade civil envolvidos na contestação ao projecto. O acompanhamento deverá igualmente prosseguir no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo.

A Federação Distrital considera que a instalação do Campo de Tiro exige «informação pública, fundamentação técnica e escrutínio das alternativas disponíveis».