Atrair investimento também se faz no PDM

A alteração ao Plano Diretor Municipal de Sousel, que procura viabilizar uma unidade de biometano com um investimento previsto de 50 milhões de euros, mostra a importância do trabalho dos municípios na criação de condições para receber empresas. Neste caso, a Câmara tem trabalhado com a CCDR Alentejo para permitir a instalação do projeto, um esforço que merece ser reconhecido e que nos deve levar a pensar também no que acontece depois de encontrarmos terreno para uma fábrica.

Quando falamos em atrair indústria para o interior, pensamos nos terrenos, nos acessos e nos apoios ao investimento, mas aquela empresa vai precisar de pessoas para trabalhar, e essa parte tem de entrar nas contas desde o princípio. Formar quem cá está e dar aos nossos jovens condições para ficarem, desde logo com salários que lhes permitam construir uma vida, deve ser uma preocupação nossa, embora tenhamos de admitir que alguns projetos poderão precisar de trabalhadores que venham de outras regiões ou de outros países.

E essas pessoas vão precisar de uma casa. Parece uma coisa óbvia, mas podemos conseguir o investimento, encontrar quem queira vir trabalhar e chegar ao fim disto tudo com uma família que desiste porque não encontra onde viver, ou porque a renda leva uma parte do salário que torna a mudança impossível. Quem vem com filhos precisa de saber onde os vai criar, dificilmente muda a sua vida toda com a promessa de que depois se há de arranjar qualquer coisa.

Por isso, gostava que a conversa sobre os espaços para a indústria trouxesse também a habitação, ainda enquanto os investimentos estão a ser preparados. Perceber o que pode ser reabilitado, que proprietários estão disponíveis para colocar casas no mercado e onde faz sentido construir, tendo em conta também quem já vive cá e quer sair de casa dos pais ou constituir família. Seria difícil explicar aos nossos jovens que estamos a preparar a chegada de novos trabalhadores sem os incluir nessa preocupação.

Este trabalho precisa de envolver as empresas e o investimento privado, em vez de ficar todo à espera de resposta das câmaras. Uma empresa que prevê contratar pessoas de fora deve partilhar essa necessidade com antecedência e participar na procura de soluções, a NERPOR pode ajudar nessa aproximação, até porque conhecer as necessidades de várias empresas pode dar a um investidor confiança para avançar com habitação.

É por aqui que julgo que devemos olhar para o PDM e para a atração de investimento, com os municípios acompanhados neste esforço e com as empresas a dizerem, tão cedo quanto possível, de quantas pessoas vão precisar. Enquanto se prepara a instalação de uma fábrica, deve haver também trabalho a ser feito para que quem lá vai trabalhar consiga encontrar uma casa e organizar a sua vida por cá.