Uma marcha silenciosa juntou hoje, dia 17, em Portalegre, doentes oncológicos, familiares e amigos, que percorreram o trajecto entre a Praça da República e o Hospital de Portalegre para defender a continuidade do acompanhamento prestado pelo médico oncologista Rui Dinis.
Promovida pelo movimento “Valorizar quem cuida”, criado por doentes oncológicos, familiares e amigos, a iniciativa nasceu na sequência da preocupação do grupo com a redução do horário do médico, que exerce funções na Oncologia do Hospital de Portalegre há 16 anos.
«Nós não queremos a redução do horário do doutor Rui, porque não queremos perder o doutor Rui enquanto nosso médico», explicou Sónia Silva, uma das porta-vozes do movimento, que considera que Rui Dinis «construiu aqui um serviço de excelência», com o apoio de «uma equipa de enfermagem e de auxiliares espectaculares».
A porta-voz destacou ainda a relação de proximidade estabelecida entre os profissionais e os doentes, sublinhando que «todos nos tratam pelo nome, não somos números», e que, no caso de Rui Dinis, existe um acompanhamento individualizado, uma vez que o médico «sabe perfeitamente» os problemas e a medicação dos doentes que acompanha. «Ele segue todos os doentes por igual», afirmou.
É precisamente esse acompanhamento que o movimento teme ver comprometido com a redução do horário. «Isto anda a reduzir o tempo de consulta, ou seja, ele não vai ter capacidade para seguir os doentes todos que tem», afirmou Sónia Silva, apontando a existência de «350 consultas em lista de espera».
Embora esteja prevista a entrada de «outro médico efectivo a reforçar o serviço», a porta-voz esclareceu que essa contratação não altera a posição do movimento. «Isso para nós não é impedimento de nada, antes pelo contrário, aqui o nosso foco principal é o doutor Rui», afirmou.
Para Sónia Silva, o valor do trabalho desenvolvido pelo oncologista não se resume ao momento da consulta. «O doutor Rui Dinis é das melhores pessoas que eu já conheci», afirmou, descrevendo-o como uma pessoa «extremamente interessada» e «envolvida em vários ensaios clínicos». Com 51 anos e «no topo da carreira», o médico é, para a porta-voz, sobretudo uma presença próxima dos doentes, acrescentando que «ele acompanha, ele explica, ele cuida, ele fala com os familiares».
O movimento já reuniu com a presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Fermelinda Carvalho, estando prevista uma reunião conjunta com a autarca e o Conselho de Administração da ULS do Alto Alentejo. O grupo pretende apresentar as suas preocupações e obter respostas sobre o futuro da Oncologia de Portalegre. «Nós queremos ter certezas que até agora não há uma única certeza de nada, é tudo só reticências», afirmou Sónia Silva.
A marcha desta quinta-feira foi realizada em silêncio, conforme tinha sido anunciado pelo movimento. «Nós alegámos uma marcha silenciosa e foi cumprida escrupulosamente», afirmou a porta-voz, explicando que «as pessoas vieram silenciosamente pelo caminho» até ao Hospital de Portalegre. «O nosso objectivo era chegar aqui e que toda a gente tivesse consciência que estamos a fazer tudo o que é possível para manter o doutor Rui», concluiu.
A iniciativa foi anunciada pelo movimento como uma marcha «por todos», pelos doentes oncológicos, pelas suas famílias e por todos aqueles que necessitam de um acompanhamento digno, próximo e atempado, defendendo uma resposta de Oncologia com «qualidade, proximidade, continuidade e humanidade».














