O aumento do preço dos combustíveis está a agravar as dificuldades financeiras das associações de bombeiros do distrito de Portalegre, que admitem suspender algumas tipologias de transporte de doentes. A hipótese ainda está a ser equacionada e não reúne consenso, de acordo com Manuel Marçal Lopes, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre.
«Com o preço dos combustíveis como estão neste momento, deixamos de ser deficitários para estar à beira da falência», alerta o dirigente, considerando que os custos são «insuportáveis» face às receitas das associações.
Segundo Manuel Marçal Lopes, que falava aos jornalistas na quarta-feira, dia 16, em Portalegre, as dificuldades são transversais às corporações do distrito, embora o impacto seja mais acentuado nas que asseguram um maior volume de transporte de doentes. Algumas tipologias de transporte já eram deficitárias antes da escalada dos combustíveis, uma situação que se agravou com o aumento dos encargos.
Em Ponte de Sor, onde Manuel Marçal Lopes preside também à Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, o dirigente aponta um acréscimo de cerca de quatro mil euros mensais na despesa com combustível. «A factura de 15 em 15 dias andava na casa dos sete mil euros, agora anda nos nove mil euros», exemplifica, comparando os valores actuais com os praticados em Janeiro.
A Federação levou as suas reivindicações à Liga dos Bombeiros Portugueses, através de uma moção com os valores que considera justos, calculados a partir dos custos suportados pelas associações. O objectivo é que a Liga reclame a actualização do financiamento junto da tutela.
Apesar das diligências, Manuel Marçal Lopes lamenta a falta de resultados concretos. Refere que o apoio prometido para o período até Junho ainda não tinha foi recebido e sublinha que os combustíveis continuaram a subir nos meses seguintes.
Perante este cenário, a suspensão de serviços é uma das possibilidades em discussão. Há dirigentes que defendem parar apenas algumas tipologias de transporte e outros que admitem uma paralisação mais abrangente. Contudo, não existe uma posição consensual nem uma decisão tomada.
«Não existe unanimidade entre nós para tomar essa medida. Se houvesse unanimidade, já teria sido tomada há algum tempo», afirma.
A preocupação com as consequências para os utentes pesa nesta discussão. «Não podemos prejudicar o cidadão, o cidadão não é o culpado e quem vai sofrer acaba por ser o cidadão», reconhece o presidente da Federação.
A título pessoal, Manuel Marçal Lopes defende uma suspensão limitada a determinados transportes, apontando como exemplo os associados a altas hospitalares. Entende que, permanecendo o doente no hospital, seria possível pressionar o sistema, embora reconheça os constrangimentos que a medida provocaria, nomeadamente na disponibilidade de camas.
«Vamos causar constrangimentos, vamos com toda a certeza», admite, sustentando que poderá ser necessária uma medida mais firme para obter respostas.
O dirigente considera que o problema se arrasta há vários governos e que, ao longo dos anos, as receitas das associações se têm afastado dos custos efectivos dos serviços prestados. «Se não houver uma medida radical, vamos continuar na mesma», conclui.