A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defende que as medidas de apoio anunciadas para o sector vitivinícola na Região Demarcada do Douro devem ser alargadas às restantes regiões produtoras do país, considerando que as dificuldades atravessam actualmente todo o sector.
Em comunicado divulgado esta quinta-feira, dia 10, a confederação saúda os apoios destinados ao Douro, mas alerta que uma resposta limitada àquela região poderá criar, no seu entender, situações de desigualdade entre produtores e distorções no mercado.
A CAP aponta a quebra do consumo de vinho, a retracção das exportações em alguns mercados, a acumulação de existências, o aumento dos custos de produção, a pressão sobre os preços e as dificuldades de tesouraria como problemas comuns às diferentes regiões vitivinícolas portuguesas.
Entre as principais preocupações da organização está também a entrada em Portugal de vinho espanhol a granel, comercializado a preços inferiores aos praticados pela produção nacional. A CAP reclama um reforço da fiscalização, da rastreabilidade e do controlo da origem do produto colocado no mercado português.
Segundo a confederação, existem situações em que vinho importado chega ao mercado sem a certificação de origem que considera necessária ou sem fiscalização suficiente, circunstância que, sustenta, representa perdas de dezenas de milhões de euros por ano para os produtores portugueses.
A organização esclarece que não coloca em causa a livre circulação de mercadorias nem a importação de vinho que cumpra as normas comunitárias, mas exige um controlo mais apertado e informação clara ao consumidor sobre a proveniência dos produtos.
O secretário-geral da CAP, Luís Mira, considera que os apoios ao Douro são justificados, mas defende uma resposta de âmbito nacional.
«A solidariedade com o Douro é inequívoca. Saudamos as medidas anunciadas pelo Governo. O que a CAP não aceita é que essa solidariedade se traduza num esquecimento dos produtores das outras regiões», afirma, acrescentando que, apesar dos problemas específicos existentes no Douro, «é todo o sector vitivinícola que enfrenta uma crise em todo o país».
A CAP chama ainda a atenção para as diferenças de competitividade entre Portugal e Espanha, argumentando que os produtores espanhóis têm beneficiado de apoios mais elevados em áreas como a energia, combustíveis e fertilizantes, o que, segundo a organização, agrava a diferença de custos entre os dois países.
A confederação afirma ter apresentado ao Governo várias propostas de carácter estrutural para o sector, incluindo no último mês, defendendo respostas destinadas a todas as regiões produtoras, em vez de medidas de natureza pontual.
Entre as propostas está também o reforço das verbas destinadas à promoção dos vinhos portugueses nos mercados internacionais. A CAP considera que uma maior aposta na internacionalização e no aproveitamento de acordos comerciais poderá contribuir para reduzir as existências e reforçar as exportações do sector vitivinícola nacional.