A presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, disse na quarta-feira, dia 9, que está a acompanhar o processo de reorganização da Unidade de Oncologia do hospital da cidade, manifestando disponibilidade para reunir utentes e administração para encontrar soluções.
A autarca, que falava na reunião ordinária do executivo municipal, considerou este caso «delicado» e que deve ser gerido «com pinças» até que seja encontrada uma solução que satisfaça todas as partes.
«Eu reuni com o senhor presidente do conselho de administração [da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo] e também recebi um e-mail das representantes do grupo informal [utentes] que se organizou para debater esta temática e dei nota às pessoas que estou a acompanhar a situação e disponível, obviamente, para reunir com todos», disse.
Fermelinda Carvalho sublinhou ainda que está disponível para «reunir novamente» com o conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo «com ou sem o grupo» de utentes, dependente da vontade das partes envolvidas.
«É algo delicado, tem de ser gerido com pinças, o conselho de administração tem acompanhado o assunto, as pessoas também têm acompanhado, obviamente que nestas matérias há sempre várias versões, às vezes a verdade está pelo meio, mas é de facto uma matéria que também me preocupa», alertou.
Manifestando disponibilidade «para ajudar» a encontrar uma solução, Fermelinda Carvalho quer que os doentes «fiquem contentes» no final deste processo com a solução que for encontrada e que a administração da ULS do Alentejo «tenha a liberdade de dirigir a casa para a qual foi mandatada».
Em comunicado divulgado na passada quinta-feira, dia 3, a ULS do Alto Alentejo disse rejeitar «qualquer interpretação» que aponte para uma diminuição da resposta aos utentes na Unidade de Oncologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, e garantiu que o serviço vai ser reforçado.
Na ocasião, o conselho de administração da ULS afiançou que a resposta assistencial na área da oncologia «não será reduzida», estando, pelo contrário, «em preparação um conjunto de medidas» destinado ao seu «reforço e desenvolvimento»
A ULS do Alto Alentejo afirmou ainda que tem trabalhado na «consolidação da capacidade assistencial» da unidade de oncologia, «prevendo o reforço» de recursos humanos diferenciados e a «melhoria das condições infra-estruturais e organizacionais» necessárias para responder de forma cada vez mais eficaz.
O PCP exigiu na terça-feira esclarecimentos sobre a reorganização da Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre, argumentando que as explicações apresentadas pela ULS do Alto Alentejo «não são compatíveis» com a actividade assistencial.
Em comunicado, a Direcção da Organização Regional de Portalegre (DORPOR) do PCP considerou que as explicações da ULS Alto Alentejo sobre esta matéria são «cada vez mais inconsistentes».
Segundo o PCP, depois de a administração da ULS do Alto Alentejo ter negado qualquer redução da resposta aos doentes e afirmado que a contratação de um novo oncologista visa reforçar o serviço, «verifica-se agora» que o período de consultas assegurado pelo actual oncologista «foi reduzido para cerca de metade» da actividade que desenvolvia até Agosto.
Também o PS, no dia 1 deste mês, questionou o Governo sobre as «alterações que estão a ser preparadas» na Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre e exigiu saber quais os «fundamentos clínicos, técnicos e assistenciais» que sustentam a decisão.
As preocupações constam de uma pergunta subscrita por sete deputados socialistas, entre os quais Luís Moreira Testa, eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre, e entregue no parlamento, dirigida à ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Também a Federação Distrital de Portalegre do PS, num comunicado divulgado no dia 02 deste mês, alertou para uma possível reestruturação do serviço de oncologia do hospital.
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