A INDÚSTRIA DA DEFESA VAI CRESCER, GOSTEMOS OU NÃO

Eu preferia que os milhares de milhões que a Europa vai gastar em defesa fossem para escolas, hospitais, reformas e tanta coisa que faz falta, era sinal de que vivíamos num mundo mais normal, mas temos uma guerra à porta, um louco na Rússia que já mostrou até onde está disposto a ir e os Estados Unidos, que durante décadas tratámos como garantia para tudo, hoje diz uma coisa e amanhã pode dizer outra, depende de quem está na Casa Branca.

A Europa percebeu tarde que não pode entregar a sua segurança aos outros e agora vai gastar muito dinheiro a recuperar capacidade militar e industrial. A soberania de um país, infelizmente, também se defende com armas, fábricas e tecnologia, porque quando houver um problema sério pouco interessa ter orçamento se depois estamos à espera que outro país nos venda munições, drones ou sistemas de comunicação, eu gostava que isto não fosse assim, mas os últimos anos mostrou-nos que é.

As empresas de defesa já andam à procura de locais para instalar produção na Europa, o mercado cresceu e vai continuar a crescer, infelizmente, e essas fábricas vão para algum lado, ou para Portugal ou para Espanha, França, Polónia e outros países que já estão a fazer o trabalho deles. Foi por isso que nasceu o Industrial Portugal Gateway, o IPG, promovido pela Luso Defense Group com a participação da NERPOR, que terá a sua base operacional nas instalações da associação, para ajudar empresas de defesa, tecnologias de dupla utilização e indústria avançada a instalar-se em Portugal, começando por Portalegre, juntando terrenos, licenças, financiamento, construção, trabalhadores e fornecedores, tudo aquilo que normalmente anda espalhado por dez sítios diferentes.

Para a região isto pode significar fábricas e emprego qualificado, mas também trabalho para a construção, metalomecânica, transportes, informática, segurança, formação, seguros e empresas que hoje nem se vêem como parte deste setor. O IPG será apresentado no dia 25 de setembro em Portalegre e tem de servir para isto, ir buscar essas empresas e apresentar uma solução antes que escolham outro sítio, porque Portalegre tem território, está junto a Espanha e precisa de investimento industrial, agora não chega dizer que temos condições e ficar à espera, esta indústria vai crescer com ou sem nós e era bom que não ficássemos apenas a comprar aos outros.