O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda manifestaram preocupação com as alterações que estarão a ser preparadas na resposta oncológica da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo e exigem esclarecimentos.
A Federação Distrital de Portalegre do PS considera que os cuidados prestados aos doentes oncológicos constituem uma área «demasiado importante e sensível» para que sejam introduzidas mudanças sem uma avaliação rigorosa das consequências na qualidade e continuidade dos tratamentos.
Segundo o presidente da Federação, Tiago Teotónio Pereira, o actual serviço apresenta «óptimos resultados terapêuticos», tem uma articulação elogiada com outras especialidades, não regista lista de espera e apresenta o maior grau de satisfação dos doentes no hospital.
Para o dirigente socialista, qualquer alteração deve ser sustentada em critérios clínicos, técnicos e de interesse público, sem representar um retrocesso na capacidade instalada. A Federação exige, por isso, que o Conselho de Administração da ULSAALE esclareça rapidamente as razões e os objectivos das mudanças em preparação.
«Não se pode colocar em risco uma resposta que funciona, que apresenta resultados e que merece a confiança dos doentes», sustenta o PS, garantindo que acompanhará as decisões que venham a ser tomadas nas próximas semanas.
Também o deputado socialista eleito pelo círculo de Portalegre, Luís Moreira Testa, questionou o Governo sobre a reorganização dos cuidados oncológicos no distrito.
Numa pergunta dirigida à ministra da Saúde, Luís Moreira Testa e outros deputados socialistas pretendem conhecer as alterações previstas, os fundamentos clínicos, técnicos e assistenciais que as sustentam e os possíveis efeitos nos tempos de resposta, na continuidade dos tratamentos e na qualidade dos cuidados.
«Não podemos correr o risco de destruir aquilo que funciona bem sem sabermos exactamente o que se pretende mudar e porquê», afirma o deputado.
Os parlamentares querem ainda saber se o Governo garante que as mudanças não provocarão uma redução da capacidade existente, um aumento dos tempos de espera ou mais deslocações dos doentes para outras unidades hospitalares.
Luís Moreira Testa sublinha que não pretende antecipar conclusões sobre um alegado processo de averiguação envolvendo um médico que, segundo notícias divulgadas pela comunicação social, poderá vir a substituir a resposta existente. O objectivo, explica, é assegurar que todas as decisões são tomadas com base em critérios clínicos e tendo os doentes como prioridade.
Também a Comissão Coordenadora Distrital de Portalegre do Bloco de Esquerda manifestou o seu «total repúdio» perante a alegada decisão de substituir e transferir um médico do serviço de Oncologia do Hospital de Portalegre.
Em comunicado, o BE afirma que a medida terá sido tomada contra a vontade dos utentes e do próprio profissional, estando a provocar alarme e contestação na comunidade. O partido manifesta solidariedade com os doentes e exige a revogação da decisão.
O BE reclama igualmente esclarecimentos públicos por parte do Conselho de Administração da ULSAALE e defende uma maior aposta na estabilidade das equipas e na fixação de profissionais de saúde no distrito.
O nosso jornal contactou a Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo que remeteu esclarecimentos para mais tarde.
