A Universidade Politécnica de Portalegre teve 446 colocados na primeira fase, mais 109 do que no ano passado, e isto é uma boa notícia para a Universidade e para a região. A nova designação de Universidade Politécnica e a alteração das regras de acesso terão ajudado, como explicou Luís Loures, os números mostram que houve uma recuperação forte e ainda faltam a segunda e terceira fases, portanto o resultado pode melhorar.

Depois vamos ver curso a curso e há ali um problema que não convém fingir que não existe. Engenharia Química e Biológica ficou sem colocados, Engenharia Civil teve um, Engenharia Informática seis, Agronomia e Equinicultura um cada. Não é culpa da Universidade, que temfeito promoção e até criou bolsas nas ciências agrárias, nem isto se resolve só com mais

cartazes. São cursos ligados à indústria, agricultura e tecnologia, precisamente onde as empresas dizem que não encontram pessoas.

As empresas costumam aparecer no fim, quando precisam de contratar para ontem, pedem formação, experiência e mais umas coisas, publicam um anúncio e ficam admiradas porque ninguém aparece. Se queremos engenheiros, informáticos e agrónomos em Portalegre, temos de começar antes, ir às escolas, abrir as empresas aos alunos, oferecer estágios pagos,

bolsas e mostrar que trabalho existe cá, quanto se ganha e que futuro pode ter uma pessoa.

A NERPOR pode juntar a Universidade e empresas que estejam disponíveis para apoiar alunos destes cursos, uma bolsa pequena durante o ano pode custar menos do que andar meses a tentar recrutar alguém que não existe. Não vai resolver tudo, claro que não, e alguns destes números pode ainda melhorar nas próximas fases, mas a conversa da falta de mão de obra já vai longa e ficar à espera também não tem funcionado.

Os 446 colocados merecem ser valorizados. Agora é olhar para os cursos com pouca procura e começar a fazer alguma coisa, porque daqui a três anos vamos voltar a precisar destes alunos e não vale a pena fazer outra vez cara de espanto.

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