Durante o último mês andei pelos 15 concelhos do distrito a falar com empresários, chamámos a isto NERPOR em Movimento porque era preciso dar um nome à coisa, mas no fundo é aquilo que o nome diz e não tem grande ciência, a NERPOR tem sede em Portalegre mas não pode ser uma associação que só aparece em Portalegre, espera que os empresários venham cá e depois diz que representa o distrito inteiro.

A primeira sessão chamou-se “Qual o financiamento correcto para a sua empresa” e eu falava, em média, durante uma hora, às vezes mais um bocado porque o tema também não se explica em vinte minutos. Falámos de fundos comunitários, banca, investidores e dinheiro dos próprios empresários, porque há problemas que não se resolve com um empréstimo e também há investimentos que não devem ficar parados dois anos à espera de um aviso que ninguém sabe quando abre, se abre, ou se depois a empresa é sequer elegível.

O assunto do financiamento foi apenas o ponto de partida, porque depois dessa hora começava a parte que eu queria mesmo, que era os empresários falarem dos problemas deles e discutirmos aquilo em conjunto. E foi aparecendo um pouco de tudo, empresas que querem investir e não sabem como, outras que faturam bastante mas dinheiro na conta é pouco, falta de trabalhadores, licenças que andam de um lado para o outro, clientes que não pagam, bancos que pedem papéis atrás de papéis e ainda aquela sensação que muitos empresários têm de que quando precisam de alguma coisa ninguém sabe bem para onde os mandar.

Também percebi uma coisa que já sabia, mas uma pessoa às vezes só percebe mesmo quando lá vai, os problemas não são iguais em todos os concelhos. Em Elvas fala-se muito de Espanha, noutros sítios o problema é não haver pessoas para trabalhar, há empresas que precisam de transportes, outras precisam de espaço, outras precisam apenas que alguém lhes explique uma coisa sem usar vinte palavras em inglês e sem lhes entregar mais um folheto. Visto de um gabinete parece tudo mais arrumado, quando se fala com quem tem de abrir a porta todos os dias a conversa é outra.

A maioria dos empresários não têm tempo para vir a Portalegre ouvir duas horas de conversa, muito menos para participar em sessões onde se fala muito e no fim fica tudo na mesma, por isso fomos nós. A ideia é fazer o NERPOR em Movimento todos os meses, com um tema diferente, falar cerca de uma hora sobre esse assunto e depois ficar a ouvir, seja meia hora, uma hora ou o tempo que a conversa pedir, porque há dias em que as perguntas acabam depressa e há outros em que se podia ficar ali até à noite.

O próximo tema será sobre uma coisa que parece básica, mas que dá cabo de muita empresa, faturar não é ganhar dinheiro. Há negócios com clientes, funcionários ocupados, carrinhas a circular e trabalho que nunca mais acaba, mas chega ao fim do mês e não sobra quase nada, porque os preços estão mal feitos, porque há clientes que dão prejuízo, porque os custos foram aumentando e ninguém parou para refazer as contas, ou porque se vende muito mas recebe-se tarde e paga-se tudo antes.

Depois falaremos de contratação, vendas para Espanha, inteligência artificial, concursos públicos, energia, clientes que não pagam e empresas que dependem do dono até para comprar uma caixa de canetas. Os temas vão aparecendo e alguns serão escolhidos pelos próprios empresários, que isto também não faz sentido ser decidido todo dentro da NERPOR sem perguntar a ninguém.

O NERPOR em Movimento é para continuar, todos os meses voltamos ao terreno, vamos rodando pelos concelhos, falamos de um problema que exista mesmo e depois ouvimos quem lá está, não vamos resolver tudo porque isso seria conversa, mas pelo menos a NERPOR passa a saber o que se está a passar e o empresário sabe com quem pode falar quando a coisa aperta, que já é alguma coisa.

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