O Festival do Crato regressa já na próxima semana, entre 26 e 29 de Agosto, numa edição que assume um significado especial ao coincidir com a 40.ª Feira de Artesanato e Gastronomia, evento que está na génese do festival e continua a ser uma das suas principais marcas distintivas. Em entrevista ao nosso jornal, Joaquim Diogo, presidente da Câmara do Crato, revela as expectativas para uma edição que pretende reunir milhares de visitantes, cruzando música, cultura, gastronomia e artesanato. O autarca destaca ainda as novidades preparadas para este ano, o reforço das condições de segurança e do espaço de campismo, a aposta na dimensão digital e a importância do festival enquanto motor de dinamização económica e promoção turística do concelho e do Alto Alentejo.

Alto Alentejo: O Festival do Crato regressa este ano, entre 26 e 29 de Agosto, numa edição que coincide com a 40.ª Feira de Artesanato e Gastronomia. Que expectativas tem para esta edição?

Joaquim Diogo: As expectativas são muito positivas. Esta é uma edição particularmente simbólica, pois assinala os 40 anos da Feira de Artesanato e Gastronomia, um evento que está na origem do Festival do Crato e que continua a ser um dos seus pilares fundamentais.

Esperamos receber milhares de visitantes ao longo dos quatro dias, proporcionando uma experiência que alia grandes concertos à valorização da cultura, da gastronomia e das tradições do nosso concelho. Acreditamos que será uma edição memorável, tanto pela qualidade do cartaz como pelo ambiente único que caracteriza o Festival do Crato.

A.A.: O cartaz de 2026 reúne artistas de diferentes géneros e públicos, com nomes como Slow J, Bispo e Veigh, mas também Calema, Sara Correia, Delfins e Calum Scott, entre muitos outros. Qual foi a estratégia seguida na construção deste cartaz?

J.D.: A nossa preocupação foi construir um cartaz equilibrado, capaz de chegar a diferentes gerações e gostos musicais. Procurámos reunir alguns dos artistas mais relevantes da atualidade, sem esquecer nomes consagrados e propostas internacionais que acrescentam valor ao festival.

O objetivo é que cada visitante encontre motivos para viver o Festival do Crato, independentemente da idade ou das preferências musicais, reforçando o carácter inclusivo e transversal do evento.

A.A.: A cada edição, o Festival do Crato procura apresentar novidades e melhorar a experiência do público. O que há de novo em 2026 e que mudanças ou surpresas pode o público esperar este ano?

J.D.: A edição de 2026 traz várias novidades que reforçam a identidade do Festival do Crato. Desde logo, a inauguração será marcada por uma surpresa gastronómica muito especial: inspirada num doce regional do concelho, criado propositadamente para esta edição. É uma forma de homenagear a gastronomia local e de assinalar os 40 anos da Feira de Artesanato e Gastronomia, valorizando um dos elementos que mais distingue o Festival do Crato.

Outra das grandes novidades é a Digital Box, um novo espaço dedicado ao universo digital e às novas formas de entretenimento. A estreia será feita por “Os Primos”, que irão realizar uma live a partir do Festival do Crato, proporcionando uma experiência inovadora para quem está no recinto e para quem acompanha o festival através das plataformas digitais.

Este ano apostámos também no reforço das condições de segurança em todo o recinto e na melhoria da zona de campismo ocasional, tornando-a mais confortável e funcional para os festivaleiros. A pensar em quem escolhe o Crato para viver o festival desde o primeiro dia, será preparada uma receção especial aos campistas, proporcionando um momento de convívio e animação.

A programação contará ainda com um dia adicional, a 25 de Agosto, que marcará o arranque das festividades, com actuações dos Gipsy Kings, Pears e Elyas, bem como da Batalha do K-Pop, reforçando a diversidade da oferta cultural e musical do evento.

Com todas estas novidades, continuamos a apostar numa experiência cada vez mais completa, onde a música se alia à cultura, à gastronomia e à hospitalidade que fazem do Festival do Crato um evento único no panorama nacional.

A.A.: O Festival do Crato tem vindo a afirmar-se no calendário dos grandes festivais de Verão em Portugal. Qual é, actualmente, o posicionamento que o Município pretende para o evento no panorama regional e nacional?

J.D.: O Festival do Crato é hoje uma referência nacional e um dos maiores eventos culturais do interior do País. O nosso objectivo é continuar a consolidar essa posição, mantendo um festival diferenciador, com identidade própria e uma forte ligação ao território.

Queremos continuar a crescer de forma sustentável, apostando na qualidade da programação, na organização e na experiência do público, sem perder aquilo que sempre distinguiu o Festival do Crato.

A.A.: Para além da dimensão cultural e musical, o festival tem um impacto significativo na economia local e regional. Que impacto espera o município que esta edição tenha no comércio, na restauração e no alojamento? Existe uma estimativa do número de visitantes e do retorno económico gerado pelo evento?

J.D: O Festival do Crato é um importante motor de dinamização económica para o concelho e para toda a região. Durante os dias do evento verifica-se uma elevada procura na hotelaria, alojamento local, restauração, comércio e diversos serviços.

Esperamos novamente uma forte afluência de público, contribuindo para um impacto económico muito significativo, que beneficia diretamente centenas de empresas e agentes locais. Mais do que os números, importa destacar que este é um investimento que gera riqueza, promove o território e reforça a notoriedade do concelho a nível nacional.

A.A.: A edição de 2026 fica também marcada pela realização da 40.ª Feira de Artesanato e Gastronomia. Como pretende, este ano, o município valorizar esta componente, que está na génese do evento e que continua a distinguir o Festival do Crato de outros festivais de música?

J.D.: A Feira de Artesanato e Gastronomia continua a ser um elemento diferenciador do Festival do Crato. Assinalar os seus 40 anos representa uma oportunidade para reforçar a valorização dos artesãos, dos produtores locais e da riqueza gastronómica da nossa região.

Queremos que os visitantes descubram que o Festival do Crato é muito mais do que um festival de música. É também um espaço de promoção da cultura, das tradições e da identidade do nosso território.

A.A.: Que importância assume a presença de artesãos e produtores, bem como a promoção da gastronomia regional, na afirmação da identidade do Festival do Crato?

J.D.: Assume uma importância absolutamente central. São estes expositores, produtores e artesãos que ajudam a preservar e divulgar o património cultural e económico do concelho e da região.

Ao proporcionar o contacto entre milhares de visitantes e os produtos locais, estamos também a criar oportunidades de negócio, a valorizar os saberes tradicionais e a promover aquilo que de melhor se faz no Alto Alentejo.

A.A.: O festival representa igualmente uma oportunidade de promoção turística do Crato e do Alto Alentejo. Que imagem do concelho e do território pretende o Município transmitir a quem visita o Crato pela primeira vez?

J.D.: Queremos que quem visita o Crato descubra um território autêntico, acolhedor e cheio de património, natureza e cultura. O Festival é muitas vezes a primeira porta de entrada para conhecer o concelho e queremos que essa experiência desperte a vontade de regressar.

O Crato tem muito para oferecer ao longo de todo o ano e o Festival é uma excelente montra para mostrar o potencial turístico do concelho e de todo o Alto Alentejo.

A.A.: O Festival do Crato tem também uma forte dimensão local. Como procura o município garantir que a população do concelho sente o festival como um evento seu e não apenas como uma iniciativa destinada a atrair visitantes de fora?

J.D.: O Festival do Crato faz parte da identidade do concelho e é vivido com grande orgulho pela população. Ao longo dos anos, tornou-se um evento que mobiliza toda a comunidade, desde as associações locais aos comerciantes, produtores, artesãos e muitos habitantes que acolhem quem nos visita.

O nosso objectivo é que o festival continue a ser um momento de encontro e de celebração para todos. Recebemos milhares de visitantes de todo o país, mas queremos que quem vive no concelho continue a sentir que este é, acima de tudo, o seu festival. Essa ligação da comunidade ao evento é uma das razões pelas quais o Festival do Crato mantém uma identidade tão forte e diferenciadora.

A.A.: Ao longo dos anos, o Festival do Crato conseguiu construir uma identidade própria e uma relação muito particular com o público. Qual considera ser hoje a maior força do festival?

J.D.: A maior força do Festival do Crato é conseguir reunir, num único espaço, grandes concertos, cultura, gastronomia, artesanato e um ambiente familiar e acolhedor.

Essa combinação torna o Festival único no panorama nacional. Quem nos visita percebe rapidamente que aqui existe uma identidade muito própria, construída ao longo de quatro décadas e assente na autenticidade do território.

A.A.: A poucos dias do arranque da 40.ª Feira de Artesanato e Gastronomia e do Festival do Crato, que mensagem gostaria de deixar ao público e, em particular, aos habitantes do concelho?

J.D.: Gostaria de convidar todos a fazerem parte desta grande celebração dos 40 anos da Feira de Artesanato e Gastronomia e de mais uma edição do Festival do Crato.

Aos habitantes do concelho, deixamos uma palavra especial de agradecimento pelo apoio e pelo orgulho com que vivem este evento ano após ano. Aos visitantes, garantimos que serão recebidos com a hospitalidade que caracteriza o Crato.

Esperamos por todos entre 26 e 29 de agosto para quatro dias de música, cultura, gastronomia e convívio, naquela que acreditamos ser uma das melhores edições de sempre do Festival do Crato.

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