Seis ciclistas de Portalegre partem na madrugada de sexta-feira, 21, para França, onde vão enfrentar um dos maiores desafios desportivos e solidários do projeto “Pedalar pela Vida”, que este ano se propõe a realizar a travessia integral dos Pirenéus, entre Hendaye, junto ao Oceano Atlântico, e Cerbère, no Mediterrâneo.

A iniciativa foi apresentada simbolicamente na tarde de quarta-feira, dia 19, junto à sede do Grupo de Apoio de Portalegre da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), numa ocasião que juntou os ciclistas e voluntários.

João Feiteira, Júlio Ceia, Paulo Miranda, Vítor Cordeiro, Joaquim Almeida e João Albuquerque vão percorrer, ao longo de sete etapas consecutivas, cerca de 900 quilómetros, com um acumulado de aproximadamente 21.081 metros de desnível positivo. A primeira etapa está prevista para sábado, dia 22, prolongando-se o desafio até 29 de Agosto.

«Este ano resolvemos fazer uma coisa diferente», explicou João Feiteira, referindo que o grupo vai viajar de carrinha até França para iniciar depois a travessia da cordilheira dos Pirenéus, entre o Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo.

A primeira etapa liga Hendaye a Tardets-Sorholus, num percurso de 144 quilómetros e 2.894 metros de desnível positivo. Seguem-se Tardets-Sorholus–Laruns, com 94 quilómetros; Laruns–Sainte-Marie-de-Campan, com 103 quilómetros; e Sainte-Marie-de-Campan–Cierp-Gaud, com 115 quilómetros.

A quinta etapa, entre Cierp-Gaud e Moulin Lauga, terá 87 quilómetros. A sexta será uma das mais exigentes, com 146 quilómetros e cerca de 4.200 metros de desnível positivo, entre Moulin Lauga e Escouloubre. A última etapa ligará Escouloubre a Cerbère, ao longo de 147 quilómetros.

Desafio mais exigente

Júlio Ceia, que participa pela terceira vez no projeto, reconhece que a edição de 2026 será particularmente dura.

«Este ano o projeto apresenta-se bastante desafiador», afirmou o ciclista, adiantando que a preparação incluiu vários treinos em zonas de montanha, nomeadamente na Serra da Estrela e na Serra de São Mamede, procurando aproximar as condições de treino das dificuldades que o grupo vai encontrar nos Pirenéus.

Para Júlio Ceia, porém, a principal motivação está na causa. «A causa é muito nobre e justifica-se perfeitamente a minha contribuição e a minha dedicação ao apoio ao doente oncológico», sublinhou.

Todos os donativos para a Liga

O “Pedalar pela Vida” assume uma missão solidária desde a sua primeira edição. Todos os fundos angariados revertem integralmente para a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Grupo de Apoio de Portalegre, que presta apoio aos doentes oncológicos e respetivas famílias.

As despesas da viagem são suportadas pelos próprios ciclistas, garantindo que o dinheiro angariado seja entregue à Liga. A população pode contribuir através de donativos, da aquisição da T-shirt oficial “Pedalar pela Vida – Pirenéus 2026”, pelo valor de 12,50 euros, e dos mealheiros solidários distribuídos por estabelecimentos comerciais da cidade.

A iniciativa pode ainda ser acompanhada através das redes sociais e do site pedalarpelavida.pt, onde serão partilhados os vários momentos da travessia e realizadas transmissões em direto ao longo das sete etapas.

Orgulho e gratidão

Na partida simbólica, Cristina Bruno, coordenadora do Grupo de Apoio de Portalegre da LPCC, destacou o compromisso dos ciclistas com a causa e o impacto que a iniciativa tem tido ao longo dos anos na divulgação do trabalho da entidade.

A coordenadora deixou uma palavra de reconhecimento aos ciclistas e às duas voluntárias que os vão acompanhar durante a viagem. “Tenho um orgulho enorme neles e estou-lhes eternamente agradecida”, afirmou.

Filomena Cordeiro e Rosa Irene integram a equipa de apoio e vão acompanhar os ciclistas nas viaturas de assistência, assegurando o transporte de alimentação, roupa e restante material necessário ao longo do percurso.

O “Pedalar pela Vida” realiza este ano a sua quarta iniciativa solidária. Em 2022, o grupo percorreu cerca de 739 quilómetros entre Chaves e Faro, através da Estrada Nacional 2. Em 2024, o desafio levou os ciclistas de Portalegre até ao mítico Col du Tourmalet, numa viagem de aproximadamente 890 quilómetros.

Já em 2025, a iniciativa assumiu a designação “1000 KM Contra o Cancro”, ligando Portalegre a Faro e passando por localidades onde existem grupos de apoio da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

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