As Festas do Povo são de Campo Maior e o mérito é de quem lá vive e de quem andou meses a cortar papel, a fazer flores, a montar ruas, a resolver problemas e a perder horas e horas nisto. Isto convém dizer logo, porque quando uma coisa corre bem começa logo a aparecer gente de fora a querer tirar conclusões, fazer balanços e dar ideias. As Festas foram feitas por Campo Maior e quem lá trabalhou fez aquilo que tinha a fazer, e fez bem.

Depois há o resto.

Fala-se em mais de 400 mil pessoas. Podem ter sido um pouco mais, um pouco menos, não é isso que interessa muito. Eram muitas, basta ter ido lá ou ter passado perto para perceber. Hotéis cheios, restaurantes a trabalhar, cafés, postos de combustível, lojas, tudo com mais gente do que o normal. Há dinheiro que fica na região, isso é evidente, agora quanto é que fica já não sei e acho que ninguém sabe bem.

Podemos fazer aquela conta fácil. Se cada pessoa gastar dez euros cá, são quatro milhões de euros. A conta vale o que vale, porque há quem gaste cem euros, há quem leve sandes de casa e há pessoas que foram mais do que uma vez. Mas pronto, dá para perceber que estamos a falar de muito dinheiro a andar de um lado para o outro e que uma parte ficou nas empresas daqui.

O que eu acho é que, depois das flores serem tiradas e Campo Maior voltar ao normal, era bom não ficar tudo por aí. Fotografias no Facebook, uns vídeos, as pessoas a dizer que foi muito bonito e acabou. Porque trazer esta quantidade de gente ao Alto Alentejo não acontece todos os dias, nem todos os anos, e dava jeito que alguns voltassem.

Não estou a dizer que agora se faça um plano estratégico com 200 páginas, quatro entidades a assinar, uma apresentação num hotel e um nome em inglês. Às vezes nós gostamos muito disso e depois o que interessa fica na mesma.

Era pegar nas pessoas que cá vieram e dizer-lhes uma coisa simples. Gostaram de Campo Maior? Voltem com mais tempo. Venham beber um vinho à Serra de São Mamede, passem uma noite em Marvão, vão comer a Elvas, conheçam Portalegre, Castelo de Vide, Arronches ou voltem a Campo Maior num fim de semana mais calmo. Há muita coisa para fazer, o problema é que muitas vezes está tudo separado, cada um vende o seu bocadinho e a pessoa que vem de fora que se desenrasque.

Também não chega dizer que o Alto Alentejo é bonito. Claro que é bonito, nós sabemos isso. Todas as regiões dizem a mesma coisa e ninguém marca um fim de semana só porque viu num folheto que o território é autêntico, genuíno e mais três palavras dessas.

Se houver um fim de semana com hotel, jantar, uma visita a uma adega e um preço, já é outra coisa. A pessoa olha, sabe quanto custa e pode marcar. Se houver um roteiro simples entre Campo Maior e Elvas, ou entre Portalegre e a Serra de São Mamede, também. Coisas que se consigam comprar, que é uma parte que às vezes nos esquecemos.

E também era bom perguntar às empresas como é que correram estes dias. Houve restaurantes que venderam muito, hotéis que encheram, cafés que não tinham mãos a medir. Outras empresas se calhar podiam ter aproveitado mais e não conseguiram porque não tinham pessoal, porque ninguém sabia que existiam ou porque simplesmente não estavam preparadas para tanta gente.

Saber isso não é avaliar a organização da festa. A festa correu bem, o sucesso está à vista e ninguém precisa de ir lá dar notas. É perceber o que aconteceu à volta, nas empresas, e o que se pode fazer da próxima vez ou noutros eventos que tragam tanta gente.

A NERPOR pode ouvir os empresários, juntar algumas respostas e perceber onde é que houve mais movimento, onde faltou capacidade e que ideias existem. Sem grandes cerimónias. Umas perguntas, falar com as pessoas e tirar conclusões que sirvam para alguma coisa.

Campo Maior trouxe as pessoas. Isso foi feito. Agora era bom que o resto da região aproveitasse o embalo e conseguisse que algumas voltassem, nem que fosse uma pequena parte. Já não era mau.

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