A morte de um bufo-real (Bubo bubo) juvenil, resgatado na localidade de Chança, no concelho de Alter, gerou polémica nas redes sociais, depois de terem sido levantadas suspeitas de alegada negligência no encaminhamento da ave para tratamento.
A controvérsia surgiu após Miguel Belo, fotógrafo de natureza que participou no resgate do animal, afirmar que o bufo-real apenas deu entrada no Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco cerca de 51 horas depois de ter sido entregue às autoridades, considerando que a demora no encaminhamento terá comprometido a sua recuperação.
Na sequência dessas alegações, fonte da GNR rejeitou qualquer actuação negligente por parte do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA). A mesma fonte explicou ao nosso jornal que a ave foi recolhida no Posto Territorial de Alter cerca das 18 horas de domingo, dia 12, permanecendo durante a noite nas instalações do SEPNA, em Portalegre, até ser entregue ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) cerca das 9h45 de segunda-feira, dia 13.
Na sequência de questões colocadas pelo nosso jornal, o ICNF confirmou que o bufo-real deu entrada nas suas instalações, em Portalegre, às 9h45 de segunda-feira, apresentando, de acordo com a guia de entrega da GNR, uma aparente fractura na asa esquerda. O Instituto esclareceu ainda que o animal foi encaminhado nesse mesmo dia para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco, acrescentando que o período decorrido entre a recepção nas instalações do ICNF, em Portalegre, e a entrega no centro de recuperação «cumpriu o protocolo estabelecido, atendendo à espécie e ao traumatismo que evidenciava».
Também em resposta às questões enviadas pelo nosso jornal, o Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens (CERAS), da Quercus, confirmou ao nosso jornal que o bufo-real deu entrada nas suas instalações cerca das 19 horas do mesmo dia. Segundo o centro, a ave encontrava-se «prostrada e desidratada», apresentando uma fractura exposta da articulação do cotovelo, com perda de tecido ósseo, muscular e cutâneo.
Face à gravidade das lesões, foi tomada a decisão clínica de proceder à eutanásia do animal. Ainda assim, o CERAS considera que «é difícil prever se o animal teria recuperação possível se tivesse sido entregue no imediato».
O centro esclarece ainda que os tempos de resposta verificados neste caso reflectem «as limitações de recursos humanos e logísticos que afectam todo o sistema de resposta à fauna selvagem», salientando que esta realidade «não deve ser entendida como falta de empenho das autoridades envolvidas», mas antes como consequência da escassez de meios disponíveis para responder a ocorrências distribuídas por extensas áreas geográficas.
O CERAS aproveita ainda este caso para recordar que, sempre que seja encontrado um animal selvagem ferido ou debilitado, o procedimento adequado é contactar as autoridades competentes, nomeadamente o SEPNA/GNR, o ICNF, a PSP, os Bombeiros ou outras entidades de protecção civil, uma vez que «estas entidades asseguram a recolha do animal e articulam posteriormente o seu encaminhamento para o Centro de Recuperação».
Os centros de recuperação não dispõem de meios próprios para efectuar recolhas em todo o território nacional, dependendo da articulação com aquelas autoridades para que os animais lhes sejam encaminhados e possam receber os cuidados médico-veterinários necessários, tendo como objectivo a sua recuperação e posterior devolução ao meio natural.


