Já na terça-feira se espalhava a indignação sobre a morte de um bufo-real jovem que foi resgatado na Chança, entregue à GNR para ser encaminhado para o ICNF, mas cuja alegada demora de cerca de 51 horas na entrega da ave terá acabado por determinar a sua não sobrevivência.

Entretanto quarta-feira de manhã a GNR lançou um comunicado sobre o resgate do mesmo bufo-real , dizendo que no dia 13, «no âmbito da missão de protecção da natureza e da biodiversidade, procedeu ao resgate e recuperação de um Bufo Real (Bubo bubo), no concelho de Alter do Chão», que se encontrava ferido, revelando que o mesmo «foi entregue por um cidadão no Posto Territorial de Alter do Chão, tendo posteriormente sido recolhida pelos militares do SEPNA, que asseguraram o seu encaminhamento para os serviços do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no Parque Natural da Serra de São Mamede, para avaliação clínica, tratamento e acompanhamento especializado, visando a sua recuperação e eventual devolução ao seu habitat natural».

Entretanto Miguel Belo, conhecido fotógrafo de aves e da natureza que resgatou e salvou a ave, explica que «estava de férias em Chança quando pelas 11horas de sábado, dia 11, um amigo que sabe como eu gosto de aves, me contactou porque outra pessoa que eu conheço lhe disse que tinha visto umas horas antes um bufo perto da estrada e estaria com uma asa partida. Disponibilizei-me logo, e fomos os quatro, o meu netinho também foi procurar a ave, fizemos alguns quilómetros, procurando, com muito calor, e não a encontrámos». Depois e já de regresso «liga-nos a pessoa que tinha visto o bufo a dizer-nos que o encontrara. Voltámos e fomos apanhar o bufo- real, juvenil, que não voava porque tinha uma asa partida».

Depois «liguei para a GNR de Alter que contactou o SEPNA de Portalegre, que disse que iam recolher a ave no domingo, dia 12 de manhã, para entregar no centro de recuperação de animais em Castelo Branco. Fui levar a ave à GNR Alter do Chão, cerca das 16h, já depois de lhe dar água em casa. No posto da GNR, onde fui muito bem recebido, ainda voltei a dar água à ave.

O Sepna foi buscar a ave à GNR de Alter só cerca das 18h do dia 12, e foi entregá-la no centro de recuperação só no dia 13, pelas 19h15, estando o centro à espera da ave, depois da hora de fecho, que é às 18h. Ou seja, a ave foi entregue no centro de recuperação de Castelo Branco só 51 horas depois de eu a ter deixado para recolha!

O resultado é que falei há pouco com o centro de recuperação e a ave chegou já tão debilitada e fraca, que apesar de prestarem logo os cuidados possíveis, ela morreu.

Estamos a falar de uma ave que existem muito poucas exemplares no nosso País, que deveria ter sido feito tudo para tentar a sua recuperação, contudo, o SEPNA, não sei se por inércia, ou se por incompetência, foi o verdadeiro responsável por esta perda, pois demoraram 51 horas para entregar a ave, e o mais certo é que nem água nem comer deram à avezinha».

E Miguel Belo conclui que «se eu adivinhasse, ou se me têm dito que só iam levar a ave esse tempo depois, eu próprio a teria levado ao centro de recuperação».

Entretanto militares da GNR dizem-nos que o problema não é do SEPNA mas da organização da Guarda.

Facto é que se um cidadão acolher uma ave destas para a tratar e ficar com ela alguns dias corre sérios riscos de ser considerado criminoso.

Nt. – entretanto esperamos esclarecimentos adicionais da GNR que solicitámos

Publicidade