No sábado, dia 20, em Torres Vedras foi entregue a Gota Comendador Joaquim Moreira Alves ao presidente da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre, Carlos Alberto (Beto) Eustáquio, que já efectuou mais de uma centena de dádivas de sangue.
A acção do Beto ao longo de muitos anos, uma “herança” do pai, António Eustáquio de boa memória, fundador da Associação é, como alguém diz, de profunda «generosidade, disponibilidade e constante boa disposição», o que «faz dele uma referência e um exemplo para todos nós».
Esta distinção da “Gota de Cristal” «reconhece uma vida de dedicação a uma causa nobre», pois o Beto «tem desempenhado um trabalho extraordinário em prol da dádiva de sangue, sensibilizando, mobilizando e inspirando tantas pessoas a ajudar o próximo», pois são pessoas como o Beto Eustáquio que «são uma inspiração e um exemplo de solidariedade» e que enchem o coração dos outros.
Perguntámos ao Beto o que representa para si esta distinção da Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue, ao que responde, com a simplicidade que o caracteriza, que «não gosto de falar de mim, porque se peca por excesso ou por defeito», assumindo que a dádiva de sangue, bem como todo o trabalho associativo, «não o faço para ser visto, mas é sempre agradável para qualquer pessoa que seja reconhecido por outros ou por uma instituição o que fez ao longo de décadas».
Em conversa com Beto Eustáquio, o presidente da Associação de Dadores conta que «a minha primeira dádiva de sangue aconteceu em 1980. Fi-lo a pedido de um amigo, cujo irmão iria ser submetido a uma intervenção cirúrgica que só poderia ser realizada se existisse a garantia de haver sangue de reserva disponível. Tratou-se daquilo a que se convencionou chamar uma dádiva dirigida.
Esse gesto solidário, que começou por uma necessidade concreta, transformou-se num compromisso de vida. Ao longo dos anos, fui fazendo as minhas dádivas de forma regular, consciente de que cada unidade de sangue poderia representar esperança e vida para alguém.
Em 2019, porém, foi-me diagnosticado um aneurisma cerebral. Julguei então que tinha chegado ao fim o meu percurso como dador de sangue. Aceitei essa realidade com serenidade, convencido de que a minha contribuição terminava ali.
Contudo, no início de 2026, os critérios de elegibilidade dos dadores foram revistos. Graças a essa alteração, tive a alegria de poder retomar as minhas dádivas. E foi com enorme surpresa e emoção que, ao regressar a este gesto de solidariedade, me foi comunicado que aquela era precisamente a minha centésima dádiva. Nunca imaginei, naquele já distante ano de 1980, que um pedido de ajuda de um amigo daria origem a um percurso tão longo e gratificante. Cem dádivas representam muito mais do que um número. Representam a convicção de que um simples gesto, repetido ao longo dos anos, pode fazer a diferença na vida de muitas pessoas. E essa é, sem dúvida, a maior recompensa que um dador pode receber, pese embora que o galardão que me foi atribuído pela FAS – Federação das Associações de Dadores de Sangue, a Gota Comendador Joaquim Moreira Alves, seja sempre um reconhecimento desse mesmo gesto».

