O Bloco de Esquerda (BE) do distrito de Portalegre manifestou a sua oposição ao projecto de transferência do Campo de Tiro de Alcochete para o concelho de Alter, criticando a intenção de instalar uma infra-estrutura militar com cerca de 7.500 hectares sem estudos de impacto ambiental, sem divulgação dos custos e sem um calendário para a concretização da operação.
Em comunicado, o partido alerta para as consequências ambientais da instalação da infra-estrutura militar, sublinhando que o território apontado para acolher o novo Campo de Tiro integra a Rede Natura 2000 e está classificado como Área Importante para as Aves.
«O território visado não é uma folha em branco disponível para uma unidade militar de grande escala, mas um ecossistema de elevada sensibilidade ecológica», afirma o BE, referindo que na área existem espécies ameaçadas como a abetarda, o sisão, o alcaravão e a águia-caçadeira.
O BE criticam ainda aquilo que consideram ser «uma visão puramente instrumental do Alentejo, tratando-o como depósito de infra-estruturas indesejadas na metrópole», recordando que a hipótese de instalar o Campo de Tiro em Mértola acabou por ser abandonada devido à presença do lince-ibérico.
O comunicado refere também que uma petição de agricultores contra a transferência reuniu já perto de 1.500 assinaturas, apontando preocupações relacionadas com o impacto ambiental, a compatibilização do projecto com a Barragem do Pisão e a coexistência com as actividades agrícola, pecuária e equestre da região.
O Bloco de Esquerda defende que qualquer decisão deve ser antecedida por estudos de impacto ambiental, por um parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela divulgação dos custos da operação. «Desmilitarizar Alcochete não pode significar militarizar um santuário de biodiversidade. Resolver um erro de localização criando outro não é planeamento», conclui.

