Na barragem de Belver junto á praia da Ortiga, em Mação, decorreu uma grande operação contra a espécie invasora com a captura de 254 siluros, num total de 2,3 toneladas desta espécie invasora.
A acção, integrada na Semana sobre as Espécies Exóticas Invasoras, visou proteger as espécies nativas e o equilíbrio biológico do rio Tejo, sendo a praia de Ortiga o teatro da operação de controlo ambiental focada na remoção do peixe-gato-europeu, conhecido popularmente como siluro (Silurus glanis).
O balanço da operação cifra-se na captura de 254 exemplares cujo peso somado atinge as 2,3 toneladas, tendo a maior parte sido remetida a uma empresa de processamento de biomassa piscícola. O maior dos exemplares media 2,15 metros e pesava 125 quilos.
A acção reuniu pescadores profissionais e a equipa do projecto europeu Life-Predator, assistidos por Vigilantes da Natureza do ICNF e por elementos do corpo nacional de agentes florestais da Região de Lisboa e Vale do Tejo.
O predador dizima os peixes do Tejo
O siluro assume-se como o 10º maior peixe do mundo, conseguindo atingir impressionantes 2,8 metros de comprimento e até 130 kg de peso. Devido a estas características e dimensões, a espécie não tem qualquer predador nos ecossistemas portugueses, transformando-se numa séria ameaça ao seu equilíbrio natural.
Para agravar o cenário, Portugal apresenta condições altamente favoráveis à sua proliferação e a um crescimento considerado “anormal”: no ecossistema nacional, ao fim de 14 anos, um siluro pode atingir os 2 metros de comprimento, enquanto na sua área nativa na Europa de Leste só alcança essa marca decorridos 30 a 35 anos.
A isto acresce uma elevadíssima fecundidade, com a fêmea a conseguir depositar um máximo de 300 mil ovos por ano.
Como consequência directa deste descontrolo, o predador está a dizimar as populações de peixes autóctones – como o barbo-comum, a enguia e o sável -, que são vitais para a economia da bacia hidrográfica do Tejo.


