António Candeias tomou posse como Reitor da Universidade de Évora (UÉ) para o mandato 2026-2030, na tarde de segunda-feira, dia 11, na Sala dos Actos do Colégio do Espírito Santo.

Após o Cortejo Académico que percorreu os Claustros e entrou na Sala dos Actos, ao som de Gaudeamus Igitur, interpretado pelo Coro da Universidade de Évora, decorreu a cerimónia solene que começou com intervenções da Reitora cessante, da presidente da Associação Académica e do presidente do Conselho Geral. Os momentos musicais da cerimónia estiveram a cargo da Escola de Artes da Universidade de Évora e do Coro da Universidade de Évora.

Na sua intervenção, Hermínia Vasconcelos Vilar, começou por agradecer a todos «o apoio e empenho», fundamental para o exercício das suas funções. De seguida, apresentou em traços gerais as principais medidas adoptadas no decurso do mandato, tendo destacado «o aumento do número de estudantes inscritos», que em 2024-2025 ultrapassou pela primeira vez os 10 mil alunos inscritos, com a «UÉ a reforçar a sua posição na rede nacional de Ensino Superior». A Reitora cessante destacou ainda o incremento de docentes e de investigadores, assim como o aumento e diversificação da oferta formativa.

Seguiu-se a intervenção de Ana Beatriz Calado, presidente da Associação Académica da UÉ que destacou que «celebramos hoje o presente, projectamos o futuro e respeitamos o passado». «O Ensino Superior está em constante evolução, influenciado pela transformação digital, pela globalização do conhecimento, pelas exigências do mercado de trabalho, pela inovação científica e isso exige Instituições capazes de acompanhar esse ritmo e lideranças que tenham coragem de projectar o futuro», sublinhou a presidente da Associação Académica. «Somos uma universidade de excelência, com um impacto real no território e com um papel fundamental no desenvolvimento do Alentejo. E estar no interior não é uma limitação. É uma responsabilidade acrescida, mas também uma oportunidade única», apontou Ana Beatriz Calado.

Já Carlos Reis, presidente do Conselho Geral, sublinhou que «o professor António Candeias é detentor de qualidades inquestionáveis. Como académico prestigiado. Investigador reconhecido internacionalmente, líder de projectos ambiciosos e conhecedor profundo da vida da sua Universidade».

Destacando a ambição que o programa de acção do novo Reitor apresenta, o presidente do Conselho Geral enumerou seis «façanhas necessárias para o cumprimento do programa apresentado», nomeadamente: a exigência; o cultivar uma inegociável ética universitária; a responsabilidade social da Universidade; a luta contra o centralismo; a memória activa; e o combate à burocracia.

Carlos Reis deixou ainda uma palavra de «homenagem ao reitorado da professora Hermínia Vasconcelos Vilar, que deixa um património alicerçado naquilo que ela concebeu, que pode desenvolver, com os meios de que dispôs e com as equipas que liderou».

Depois aconteceu o momento da  Tomada de Posse do Reitor eleito, que seguidamente conferiu posse aos Vice-Reitores, Pró-Reitores e ao Administrador.

Como Vice-Reitores tomaram posse: Ausenda de Cáceres Balbino [Professora do Departamento de Geociências] assumiu a tutela do Património, Infraestruturas e Assuntos Internos; Cristina Dias [Professora do Departamento de Química e Bioquímica] ficou com a tutela do Ensino e Inovação Pedagógica; Antonio Sáez Delgado [Professor do Departamento de Linguística e Literaturas] assumiu a pasta Cultura e Sociedade; e Rui Salgado [Professor do Departamento de Física] tomou posse como Vice-Reitor para a Investigação e Inovação.

Já no que respeita aos Pró-Reitores, tomaram posse: Elisa Bettencourt [Professora do Departamento de Medicina Veterinária] como Pró-Reitora para as Herdades Experimentais, a ZEA, o Hospital Veterinário e o polo de Alter; Elsa Lamy [Investigadora do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento] como Pró-Reitora para “Uma Só Saúde”; Gertrudes Guerreiro [Professora do Departamento de Economia] como Pró-Reitora para a Gestão Académica; António Anjos [Professor do Departamento de Informática] como Pró-Reitor para a Transformação Digital; Carlos Vieira [Professor do Departamento de Economia] como Pró-Reitor para a Qualidade, Acreditação e Planeamento; Leonel Alegre [Investigador do Laboratório HERCULES – Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda] como Pró-Reitor para a Inovação Social, Transdisciplinaridade e Internacionalização das Artes; Nuno Pedroso [Investigador do Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento] como Pró-Reitor para a Investigação; e Pedro Madureira [Professor do Departamento de Geociências] como Pró-Reitor para a Inovação e Áreas Emergentes.

Na cerimónia tomou ainda posse José Biléu Ventura, Professor do Departamento de Gestão, como Administrador.

Na sua primeira intervenção António Candeias começou por afirmar que «assumo hoje, com profunda honra, sentido de responsabilidade e sincera humildade, o cargo de Reitor da Universidade de Évora».

«A Universidade de Évora é uma história longa de pensamento, de liberdade, de criação e de serviço. É uma casa de Democracia», referiu o novo Reitor, afiançando que «hoje não inicio apenas um mandato. Entro nessa corrente. E faço-o com a consciência de que governar uma universidade é, antes de tudo, escutá-la. Ouvir a todas e a todos para, depois, tomar as decisões certas».

Agradecendo a confiança que recebeu do Conselho Geral, António Candeias sublinhou que a «Universidade é maior do que qualquer candidatura, maior do que qualquer equipa, maior do que qualquer circunstância. É maior do que todos nós, não esqueçamos nunca isto. Somos nós que servimos a instituição, não é a instituição que está ao nosso serviço. É com esse princípio que inicio este mandato: serei Reitor de todas e de todos».

António Candeias agradeceu também «sinceramente a todos os Reitores e Reitoras que me antecederam». «A história de uma universidade não se faz de rupturas, mas de continuidade, de aprendizagem, de correcção e de coragem para abrir novos caminhos. Recebo esta instituição com imenso respeito pelo que foi construído e com responsabilidade pelo que teremos de transformar», apontou.

O novo Reitor agradeceu ainda «a cumplicidade da equipa que comigo assume esta missão. É uma equipa profundamente plural, ampla, competente, comprometida e preparada para servir», tendo ainda deixado um agradecimento especial à família e aos amigos, pois «ninguém chega sozinho a um momento como este».

Perante os desafios do tempo exigente que vivemos, António Candeias afirmou que «a Universidade de Évora não pode ser espectadora. Tem de ser protagonista, porque o Alentejo sente muitos desses desafios de forma particularmente intensa».

«A nossa missão não se esgota na formação de diplomados, nem na produção de livros ou artigos científicos. A nossa missão, a de todos nós, é formar – cidadãos livres, críticos, responsáveis e socialmente comprometidos», afiançou o novo Reitor, acrescentando que a missão «é produzir conhecimento relevante, e assim contribuir para uma sociedade mais justa, mais qualificada e mais consciente de si própria. Não é apenas prestar serviços. É colocar a inteligência colectiva da Universidade ao serviço do bem comum. Não é apenas adaptar-nos ao futuro. É ajudar a construí-lo».

«Quero afirmar aqui, com clareza, uma convicção essencial: defendo uma Universidade de Évora pública, autónoma, responsável e de matriz não fundacional», sublinhou António Candeias, que afiançou que «a Universidade de Évora tem condições únicas para afirmar o espírito integrador entre áreas – as ciências, as humanidades e as artes».

Depois o novo Reitor dirigiu-se em especial aos estudantes, que «são parte activa desta comunidade» e, em seguida, aos docentes e investigadores, o «nosso compromisso é simples: criar condições para que o essencial (ensinar, investigar, orientar, criar, transferir e inovar) volte a ser central». Aos trabalhadores técnicos, administrativos e de gestão garantiu que «nenhuma Universidade existe sem o vosso trabalho».

Sobre o papel da Academia no território, António Candeias considera que «a Universidade de Évora tem uma responsabilidade particular no território em que se insere», acrescentando que «a investigação que fazemos tem de dialogar com a sociedade. Tem de chegar às políticas públicas, às empresas, às instituições, às comunidades. O conhecimento só cumpre plenamente a sua função quando se torna partilhável e transformador. E o nosso território precisa mesmo disto».

«Queremos aprofundar a ligação à região, aos municípios, às empresas, incluindo o PACT, às instituições culturais, aos serviços públicos, às escolas, às unidades de saúde, às associações e às comunidades. A Universidade tem de estar mais presente, mais disponível, mais próxima e mais comprometida», garantiu o novo Reitor, apontando ainda que «na Internacionalização, queremos uma Universidade global. Uma Universidade que atraia estudantes, docentes, investigadores e técnicos de todo o mundo».

Aos Presidentes das Comunidades Intermunicipais e à CCDR Alentejo, António Candeias deixou um apelo para que «sejam parte activa neste projecto de transformação que pretende afirmar a Universidade e a Região. Contem connosco, porque ficam a saber, desde já, que a Universidade de Évora conta convosco»

Dirigindo-se ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, o novo Reitor deixou «uma palavra clara sobre uma questão estrutural que condiciona o presente e o futuro das universidades públicas: o seu subfinanciamento crónico».

«Aos Senhores Deputados da Assembleia da República, deixo também um apelo institucional: que a defesa do ensino superior, da Investigação científica e da inovação seja assumida como uma prioridade nacional, transversal e duradoura», defendeu.

O novo Reitor garantiu ainda uma «palavra de compromisso e de apelo à unidade», na sua palavra dirigida aos Reitores das Universidades portuguesas e aos Presidentes dos Institutos Politécnicos.

«Hoje começa um novo ciclo. E quero que esse ciclo seja marcado por confiança», apelou António Candeias, acrescentando que «a confiança não se decreta. Constrói-se. Constrói-se com trabalho, com verdade, com respeito e com responsabilidade»

«Por isso, não vos peço apenas apoio. Peço-vos compromisso, exigência e participação», concluiu o novo Reitor da Universidade de Évora.

Após a cerimónia solene, decorreu a sessão de cumprimentos à Equipa Reitoral empossada, no Claustro.

O programa terminou com um cocktail servido no antigo refeitório e com vários momentos musicais, nomeadamente actuação de Grupos Académicos, e interpretações do Grupo de Metais da EA (Escola de Artes), do Grupo de Jazz da EA e de Cantares Alentejanos, pelo Grupo de Cantares de Évora.

Recorde-se que os resultados do processo eleitoral foram conhecidos no passado dia 30 de Março na sequência da reunião deliberativa do Conselho Geral da Universidade de Évora, órgão a quem compete estatutariamente a eleição do Reitor.

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