A anunciada instalação do Campo de Tiro da Força Aérea em Alter foi um dos temas em destaque na reunião da Direcção Regional do Alentejo do PCP, realizada na terça-feira, dia 5, em Évora. O partido considera que o projecto poderá ter impactos significativos no desenvolvimento económico, ambiental e social do distrito de Portalegre.
Em comunicado, os comunistas defendem que a decisão «tem de ser bem ponderada e sobretudo tendo em conta as suas várias implicações», alertando para possíveis consequências em áreas agrícolas e pecuárias, bem como em projectos industriais e turísticos.
O PCP refere ainda que os terrenos apontados para a eventual instalação militar se localizam «entre dois eixos rodoviários principais (IC13 e IP2)», considerando essencial avaliar se o projecto poderá comprometer futuras expansões urbanas ou outras infra-estruturas estratégicas para o distrito.
Outra das preocupações levantadas prende-se com o impacto ambiental da infra-estrutura. A Direcção Regional do Alentejo considera indispensável a realização de «rigorosos estudos de impacto ambiental», nomeadamente no que respeita à flora, fauna e aos recursos hídricos existentes naquela zona do Alto Alentejo. Entre os pontos destacados está o aquífero que abastece as águas termais de Cabeço de Vide.
Os comunistas criticam igualmente a forma como o processo tem sido conduzido, acusando o Governo de falta de transparência e de afastar as populações e os autarcas da discussão. Segundo o comunicado, o assunto terá «apanhado de surpresa» os eleitos locais, agentes económicos e sociais e diversas entidades regionais. O PCP defende, por isso, um «debate e participação públicos» antes de qualquer decisão definitiva.
Apesar do destaque dado ao Campo de Tiro, o PCP volta também a chamar a atenção para outros problemas estruturais do distrito de Portalegre, nomeadamente o despovoamento e a falta de investimento público. O comunicado refere que os dados mais recentes sobre natalidade confirmam que Portalegre continua em sentido inverso ao crescimento nacional, agravando os problemas demográficos da região.
Na área da saúde, os comunistas apontam atrasos e insuficiências nas intervenções previstas para o Hospital de Portalegre, além da persistente falta de médicos e outros profissionais no Serviço Nacional de Saúde no Alentejo.
O PCP critica ainda aquilo que considera ser uma sucessão de anúncios governamentais sem concretização prática, acusando o executivo PSD/CDS de privilegiar «acção de propaganda» em vez de respostas concretas para os problemas da região.

