O presidente da Câmara de Alter, Francisco Miranda, garantiu que ainda não aceitou a instalação do novo Campo de Tiro no concelho e admitiu ter-se enganado quanto à existência de terrenos públicos na área em estudo. O autarca sublinhou que a posição da autarquia dependerá da avaliação dos estudos técnicos, numa fase em que o processo continua sem decisão final quanto à sua localização exacta no concelho.
«Ainda não tenho os elementos suficientes que me permitam aferir se uma infra-estrutura desta natureza terá mais vantagens do que prejuízos», afirmou Francisco Miranda, acrescentando que «não aceitei o campo de tiro» e que só o fará «quando me convencer, peremptoriamente, de que traz desenvolvimento e progresso ao concelho de Alter».
A eventual transferência do Campo de Tiro de Alcochete para Alter foi o tema central da 2.ª reunião da Assembleia Municipal, realizada na noite de quinta-feira, dia 30, no Cine-Teatro, com forte participação popular e a presença da Força Aérea, através do coronel Carlos Paulos.
O militar confirmou que Alter reúne condições para acolher a infra-estrutura, embora tenha sublinhado que o processo ainda está em desenvolvimento. «Chegou-se à conclusão de que, de facto, é possível transportar para a zona de Alter aquilo que se faz no Campo de Tiro de Alcochete», afirmou, acrescentando que a localização final «continua por definir».
A relocalização surge no contexto da construção do novo aeroporto de Lisboa no actual Campo de Tiro de Alcochete, o que obriga à transferência da infra-estrutura militar.
Segundo a Força Aérea, a escolha preliminar teve por base critérios como densidade populacional, acessibilidades, orografia e clima. O coronel explicou que «quando falamos de um campo de tiro, estamos a falar de um espaço tridimensional», essencial para exercícios com aeronaves, tiro directo e indirecto e outras operações militares.
No plano ambiental, garantiu que «não vamos implementar nada numa zona que esteja ao abrigo de áreas classificadas», acrescentando que serão seguidos critérios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
Sobre impactos locais, foi referido não existir interferência com a Barragem do Pisão. Já quanto ao gasoduto Monforte-Leiria, o coronel reconheceu que a questão está ainda em análise técnica, afirmando que «o gasoduto existe, mas este é um processo que está em desenvolvimento».
A população marcou forte presença na sessão, manifestando preocupações sobretudo ambientais e agrícolas.
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