O ministro da Defesa Nacional defendeu esta quarta-feira, dia 29, que «não há Força Aérea sem Campo de Tiro» e mostrou-se interessado em dar explicações no parlamento sobre a transferência da infraestrutura para Alter.

«Não há Força Aérea sem Campo de Tiro», afirmou o titular da pasta da Defesa, Nuno Melo, ao ser questionado pela agência Lusa sobre preocupações relativas à transferência da infraestrutura, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja, em Beja.

Assinalando que «a Força Aérea tem que ter um Campo de Tiro», o ministro salientou que, devido à construção do novo aeroporto, o actual, situado na zona de Alcochete, no distrito de Setúbal, «terá que ser entregue e outro terá que ser implementado».

A propósito dos requerimentos que deram entrada no parlamento para a sua audição sobre a matéria, Nuno Melo disse ser «o primeiro interessado em dar todas as explicações em relação a esta infraestrutura».

«É uma infraestrutura estratégica para Portugal e, por outro lado, tendo noção que terá sempre algum impacto, terá um impacto que em larga medida é fortemente positivo, mas também terá, como é óbvio, consequências que afectarão algumas pessoas», frisou.

Em relação aos impactos negativos para as pessoas, o governante deu como exemplo a necessidade de se fazerem expropriações, vincando que, nesses processos, «serão pagos pelo valor realmente justo em relação aos terrenos».

Por outro lado, o ministro da Defesa Nacional considerou que a transferência do Campo de Tiro para Alter pode ajudar a inverter a situação de despovoamento daquela região.

«Estamos a falar da instalação de uma unidade militar, transferência de perto de 200 militares e famílias, construção de um bairro habitacional, pessoas e famílias que vão também estudar e trabalhar naquela região, e de várias obras infraestruturais que como compensação também serão realizadas e em benefício de toda a região», sublinhou.

Lembrando que a escolha de Alter resultou de um acordo entre o seu ministério e a câmara, Nuno Melo revelou ainda que já «estão a ser realizados todos os estudos que a lei prevê para que se concretize este campo de tiro».

O PS e o Chega já apresentaram requerimentos para a audição no parlamento do ministro da Defesa, autarcas e outros responsáveis sobre a transferência do Campo de Tiro da Força Aérea de Alcochete para Alter.

E um grupo de agricultores lançou uma petição pública contra a transferência, alertando para os possíveis danos ambientais e económicos da infraestrutura.

Em 11 de Março, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou a escolha de Alter do Chão para acolher o Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP), instalado em Alcochete.

Quando anunciou a nova localização, o governante salientou que a escolha da nova localização «é um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos» onde vai ‘nascer’ o novo aeroporto Luís de Camões, na região de Lisboa.

Na altura, não foi detalhado o local exacto do campo de tiro no concelho de Alter do Chão, mas, segundo o ministro, a valência terá uma dimensão de cerca de 7.500 hectares.

SM/RRL // RBF

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