O grupo parlamentar do Chega requereu na Comissão de Defesa Nacional a realização de audições a várias entidades sobre a relocalização do Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa para Alter.
No documento entregue no Parlamento, o partido considera que a transferência da infra-estrutura, actualmente situada em Alcochete, constitui uma decisão de «inegável relevância estratégica», mas sublinha a necessidade de um «escrutínio parlamentar cuidado e plural» face aos impactos previstos.
A nova localização deverá ocupar cerca de 7.500 hectares — aproximadamente um quinto do território do concelho — com efeitos que se estendem a municípios vizinhos como Fronteira, Monforte, Crato, Ponte de Sor e Portalegre.
O Chega refere ainda que existem «legítimas preocupações» por parte de populações, autarcas e organizações agrícolas, nomeadamente ao nível do impacto ambiental, da protecção de espécies inseridas na Rede Natura 2000 e da compatibilização com actividades económicas locais.
No requerimento, o partido propõe a realização de audições durante o mês de Junho de 2026, defendendo que este é o momento adequado para promover um debate informado, tendo em conta que os estudos previstos pelo Governo deverão estar concluídos no primeiro semestre do mesmo ano.
Entre as entidades a ouvir constam o Ministro da Defesa Nacional, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, os presidentes das Câmaras de Alter, Fronteira, Monforte, Portalegre, Ponte de Sor e Crato, a presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre e ainda Joana Caldeira Valverde de Azeredo Vasconcelos, primeira subscritora da petição “Alter do Chão, Não ao Campo de Tiro”.
O documento foi apresentado esta quarta-feira, dia 29, e é subscrito pelos deputados Pedro Pinto, Nuno Simões de Melo, Bernardo Pessanha, Sandra Ribeiro e Raul Melo.

