Um grupo de agricultores lançou uma petição pública contra a transferência do Campo de Tiro da Força Aérea de Alcochete para Alter, alertando para os possíveis danos ambientais e económicos da infraestrutura.

A petição pública, disponível ‘online’ e consultada esta terça-feira, dia 28, pela agência Lusa, é dirigida ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, e, às 14:00, reunia a assinatura de 1.482 pessoas.

No documento, os subscritores pedem à Assembleia da República (AR) «que aprecie e debata esta petição em comissão» e, uma vez que reúna as assinaturas suficientes, também em sessão plenária.

Os peticionários solicitam ainda que o parlamento “requeira ao Governo a divulgação de todos os estudos técnicos, pareceres e documentação que sustentaram a decisão” de transferência do Campo de Tiro de Alcochete, no distrito de Setúbal, para Alter do Chão, no distrito de Portalegre.

A AR, defendem, deve ainda exigir «a suspensão de qualquer avanço» do projecto «até à conclusão dos procedimentos legais obrigatórios», como a Avaliação de Impacte Ambiental, a consulta pública e a verificação da compatibilidade com o Plano Director Municipal e com os instrumentos de gestão territorial regional.

As entidades locais, regionais e ambientais com interesse legítimo nesta matéria também têm de ser ouvidas, é reclamado igualmente no documento.

Em declarações à Lusa, Maria Vasconcelos, proprietária de terrenos agrícolas nesta região alentejana e uma das subscritoras da petição pública, alertou que os terrenos onde poderá surgir o novo campo de tiro são «protegidos ambientalmente» e possuem «corredores de aves».

A empresária agrícola criticou ainda a decisão do Governo de escolher aquele território para a infraestrutura militar «sem ter desenvolvido estudos prévios, sem nenhuma avaliação de impacte ambiental, sem consulta pública e sem transparência documental».

Em 11 de Março, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou a escolha de Alter do Chão para acolher o Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP), instalado em Alcochete.

Quando anunciou a nova localização, o governante salientou que a escolha da nova localização «é um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos» onde vai ‘nascer’ o novo aeroporto Luís de Camões, na região de Lisboa.

Na altura, não foi detalhado o local exacto do campo de tiro no concelho de Alter do Chão, mas, segundo o ministro, a valência terá uma dimensão de cerca de 7.500 hectares.

Além das questões ambientais, os agricultores destacam que esta zona alentejana é atravessada por um gasoduto de alta pressão, alertando para riscos de insegurança.

«A segurança de construir um campo de tiro em cima de um gasoduto não foi avaliada e o desvio do gasoduto pode custar até 200 milhões de euros, por isso, não percebo qual a ideia de fazer um campo de tiro com um gasoduto no terreno», criticou Maria Vasconcelos.

A empresária avisou ainda que a construção do campo de tiro vai provocar o encerramento de várias explorações agrícolas e, por consequência, gerar desemprego na região.

«São 7.500 hectares de terras que estão a ser exploradas por empresários agrícolas, cujo pessoal vai todo para o desemprego, porque não temos sítio para os pôr a trabalhar», vincou.

Na petição pública, é possível ler que o risco de incêndio florestal «é agravado significativamente, com interdição de vastas áreas às equipas de combate em caso de emergência».

Os peticionários recordam ainda que Alter «é o berço» do cavalo Puro-Sangue Lusitano, sendo a instalação do campo de tiro «incompatível» com o turismo equestre de «prestígio internacional», que «sustenta parte significativa» da economia local.

E a decisão «não contempla a compatibilização com a Barragem do Pisão, no concelho do Crato, nem com o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor e as suas ‘Air Traffic Zones’», pode ler-se ainda no documento.

HYT // RRL

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