Os deputados do PS manifestaram preocupação com a eventual sobreposição entre a área prevista para o novo Campo de Tiro, em Alter, e o traçado do gasoduto Monforte-Leiria, tendo avançado com perguntas dirigidas ao Governo e um pedido de audições parlamentares.
Em causa estão notícia vindas a público sobre a possibilidade de a futura infra-estrutura militar coincidir, total ou parcialmente, com o traçado de uma infra-estrutura com relevância estratégica, mas igualmente sensível como o gasoduto que liga Monforte a Leiria.
«Estamos a falar de um campo de tiro cuja actividade tem, naturalmente, riscos quando realizada perto de uma infraestrutura energética, pelo que urge clarificar se foram devidamente acauteladas todas as condicionantes técnicas, de segurança e de ordenamento do território», alertou Luís Testa, deputado eleito pelo círculo de Portalegre e primeiro subscritor das iniciativas.
Os parlamentares dirigiram questões ao ministro da Defesa Nacional e à ministra do Ambiente e da Energia, procurando saber se o Governo tinha conhecimento prévio da existência do gasoduto na área agora apontada e se considera viável, do ponto de vista técnico e legal, a instalação de um campo de tiro nesse local.
A situação surge na sequência da decisão do Governo de deslocalizar o actual Campo de Tiro de Alcochete para Alter, no âmbito do projecto do novo aeroporto Luís de Camões. Segundo os deputados socialistas, pedidos anteriores de esclarecimento ao Governo sobre esta matéria não obtiveram resposta.
Paralelamente, foi também solicitado ao presidente da Comissão de Defesa Nacional a realização de um conjunto alargado de audições com entidades relevantes, com o objectivo de aprofundar o conhecimento sobre os impactos da decisão.
Entre as entidades que os deputados pretendem ouvir estão autarcas da região, responsáveis de organismos públicos e representantes de sectores directamente envolvidos, como a REN – Redes Energéticas Nacionais, a Agência Portuguesa do Ambiente e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, bem como dos presidentes das Câmaras de Alter, Crato, Fronteira, Monforte, Portalegre e de Ponte de Sor, do presidente da CIMAA, da presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre, o Director-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, Joana Caldeira Valverde de Azeredo Vasconcelos, primeira subscritora da petição “Alter do Chão, Não ao Campo de Tiro”, o presidente da NAV – Aeroportos e Navegação Aérea, o presidente da CCDR Alentejo, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e o ministro da Defesa Nacional.
Os deputados defendem que estas audições permitirão à Assembleia da República dispor de «informação completa, plural e tecnicamente sustentada», contribuindo para um escrutínio rigoroso de uma decisão que consideram ter impacto estratégico, ambiental e socioeconómico relevante para a região do Alto Alentejo.

