A vila histórica de Marvão abriu oficialmente as portas de um novo espaço turístico que pretende marcar a diferença no panorama regional e nacional. O Marvão Hotel Museu**, projecto liderado pelo empresário marvanense Jorge Rosado, foi inaugurado no coração da Rua do Castelo, após a reabilitação do emblemático edifício da Janela Manuelina.
A nova unidade resulta de um investimento de cerca de 2,3 milhões de euros, sendo co-financiada em 40% pelo Portugal 2030, e permitiu a criação de oito postos de trabalho directos, reforçando a dinâmica económica do concelho. O projecto apresenta um conceito que combina hotelaria de charme, museologia e valorização da identidade local, procurando posicionar Marvão no mapa do turismo de excelência.
Com apenas 12 quartos, o hotel aposta numa experiência intimista e diferenciadora, onde o património histórico se cruza com soluções contemporâneas de sustentabilidade e acessibilidade. Destaque para os apontamentos identitários do concelho na decoração, nomeadamente os bordados com casca de castanha, elaborados por Adelaide Martins, e as talhas de barro para produção de Vinho da Talha, na suíte principal. A unidade integra ainda uma sala panorâmica com lareira e um terraço no quarto piso com jacuzzi de água salgada.
Um dos elementos distintivos do hotel é o Museu “Da Pedra à Pólvora”, criado a partir da visão conjunta de Jorge Rosado e do espanhol José Rivero Sudon. O espaço presta homenagem à história e à ligação cultural entre os territórios da raia luso-espanhola, proporcionando aos visitantes uma viagem pela memória da região.
Já no Restaurante Guarita, liderado pelo jovem chef Daniel Almeida e com capacidade para 30 lugares, a proposta gastronómica assenta numa interpretação contemporânea da cozinha alentejana, privilegiando produtos sazonais e produtores locais.
Mais do que um simples alojamento turístico, o projecto assume-se como um espaço vivo de cultura e memória, pensado para proporcionar aos visitantes uma imersão na história e nas tradições da região.
Um projecto com raízes em Marvão
Durante a cerimónia de inauguração, que decorreu no terraço do hotel perante centenas de convidados, entre os quais família, amigos e personalidades da região das mais diversas áreas, Jorge Rosado sublinhou o significado pessoal e colectivo do projecto. Visivelmente emocionado, começou por agradecer o apoio que tornou possível a concretização da obra.
«A minha primeira palavra é obrigado. Obrigado à minha família e a todos os que tornaram possível reerguer este edifício da Janela Manuelina», afirmou.
Para o empresário, a nova unidade pretende qualificar a oferta turística da região sem perder autenticidade. Ao explicar o conceito do hotel, comparou a dimensão reduzida da unidade com a lógica de excelência que pretende atingir.
«Apresentamos hoje um hotel de charme com apenas 12 quartos. O melhor vinho do mundo tem apenas um hectare de vinha. Queremos posicionar-nos entre os melhores», disse.
Jorge Rosado destacou ainda que o projecto surge com a ambição de contribuir para o desenvolvimento do interior e reforçar a projecção do território.
«Vamos escrever uma nova página da história do Alto Alentejo e do nosso interior. Marvão estará no mapa do panorama hoteleiro nacional», afirmou.
Entre as novidades anunciadas está também a criação de uma solução de mobilidade verde dentro das muralhas, com um serviço de transporte gratuito para hóspedes, pensado para reduzir o trânsito automóvel e preservar o património histórico da vila.
Turismo como motor de desenvolvimento local
A inauguração contou com a presença de várias entidades regionais e nacionais, que destacaram o impacto do investimento para o território. O presidente da Câmara de Marvão, Luís Vitorino, sublinhou que a nova unidade representa mais do que um simples equipamento turístico.
«Este projecto representa muito mais do que um novo edifício. Representa confiança no futuro do concelho, criação de emprego e valorização da nossa oferta turística», afirmou o autarca, acrescentando que iniciativas deste tipo ajudam a reforçar a atractividade do território e a dinamizar a economia local.
Também o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, destacou a visão empresarial que esteve na origem do projecto e o seu contributo para a afirmação do destino Alentejo.
Para o responsável, o hotel traduz bem a identidade turística da região. «Neste hotel conseguimos sentir tudo aquilo que é o turismo do Alentejo: inovação, transformação e luxo discreto», afirmou, defendendo que o sector precisa de empresários capazes de arriscar e investir. «O mérito principal é de quem teve a visão e a coragem de avançar», acrescentou.
Na mesma linha, o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, salientou que investimentos como este demonstram a importância da articulação entre iniciativa privada e políticas públicas. Para o responsável, Jorge Rosado representa «o novo perfil de empresários que querem desenvolver o Alentejo e afirmar a região à escala nacional e internacional».
A relevância estratégica do turismo para o país foi também sublinhada pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, que marcou presença na cerimónia. O governante recordou que o sector continua a ser um dos principais motores da economia portuguesa.
«Estamos aqui a celebrar o sucesso de um empresário e de uma indústria que é hoje um dos motores da economia portuguesa», afirmou, lembrando que Portugal recebeu cerca de 31 milhões de turistas internacionais em 2025.
Na sua opinião, investimentos desta natureza contribuem para elevar a qualidade da oferta turística nacional: «Projectos como este ajudam a valorizar o destino e a afirmar Portugal como um dos melhores destinos turísticos do mundo».
Com a abertura do Marvão Hotel Museu, a vila histórica reforça a sua oferta turística num momento em que o Alentejo ganha cada vez mais notoriedade internacional.
A combinação entre património, cultura, gastronomia e hospitalidade é a base do projecto que, segundo os responsáveis, pretende transformar a estadia dos visitantes numa verdadeira experiência de território.
Como resumiu Jorge Rosado, no final da cerimónia, «se conseguirmos fazer algo único neste lugar extraordinário, então Marvão continuará a crescer como destino de excelência».







Artigo publicado originalmente na edição 959 do Jornal Alto Alentejo, de 18 de Março de 2026

