Entre Janeiro e Agosto de 2025, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 1.557 pessoas idosas vítimas de crime e violência, num total de 2.861 crimes registados. Os números, agora divulgados, revelam uma realidade preocupante que exige reforço das respostas de apoio especializado e medidas de prevenção dirigidas a uma faixa etária particularmente vulnerável.
Segundo a APAV, mais de metade das vítimas (53,9%) eram novos casos, enquanto 46,1% já se encontravam em acompanhamento desde anos anteriores. A maioria das vítimas é mulher (75%), de nacionalidade portuguesa (90,7%), com maior incidência entre os 65 e 74 anos – sobretudo no grupo dos 65-69 anos (434 pessoas) e dos 70-74 anos (350 pessoas).
A violência doméstica representa 81% das situações, seguindo-se crimes como ameaça e coacção, burla e ofensas à integridade física. Em média, cada vítima foi alvo de dois crimes em simultâneo. Quanto ao perfil dos agressores, 57,8% são homens e 25,3% mulheres, sendo que em 33,5% dos casos os filhos ou filhas das vítimas são os autores da violência. A residência comum (53,9%) e a casa da própria vítima (28,1%) são os locais mais frequentes onde ocorrem os abusos.
Os dados confirmam a dimensão nacional do fenómeno: entre Janeiro e Agosto, a APAV apoiou vítimas em 175 dos 308 municípios portugueses.
As estatísticas foram apresentadas na quarta-feira, dia 1, em Lisboa, no Seminário Final do projecto “Portugal Mais Velho”, que reuniu especialistas, decisores e representantes da sociedade civil para debater os desafios do envelhecimento e a necessidade de prevenir e combater a violência contra pessoas idosas.
Em simultâneo, foi lançada uma campanha nacional de sensibilização, com o objectivo de alertar para as várias formas de violência contra idosos e reforçar uma cultura de respeito, protecção e solidariedade intergeracional.

